Búfalos impulsionam agroindústria no Pará
Ações de acompanhamento técnico fortalecem a produção leiteira
A bubalinocultura, criação de búfalos, é a principal atividade econômica do arquipélago do Marajó. O animal movimenta a economia local de ponta a ponta, gerando emprego e renda tanto para grandes fazendeiros quanto para pequenos produtores familiares. Não é à toa que o Pará é o maior criador de búfalos do Brasil. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem um rebanho de 1.805.145 cabeças. Dessas, quase 800 mil são do Pará.
Nos municípios como Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, no "Marajó Oriental", é comum a convivência nas ruas e nas praias entre o morador e o búfalo. O animal dita o ritmo do dia a dia. Na praia da Barra Velha, um dos atrativos turísticos de Soure, o morador Walter Ferreira não larga do amigo "Baiano", nome com que ele batizou o búfalo. Há oito anos, ganha a vida proporcionando aos turistas passeios sob o animal.
"Ele é bem cuidado e mansinho. Todo mundo que vem aqui gosta dele. A gente faz um passeio por toda a extensão da praia. Ele me ajuda no meu sustento. O búfalo é tudo para nós aqui no Marajó. Ajuda a gente a manter nossa renda e sustento das famílias", conta.
Um outro local que atrai pelo menos 500 turistas por mês para conhecer e ter contato de perto com o búfalo é a Fazenda Mironga, localizada a cinco quilômetros do centro de Soure. O proprietário do local, Carlos Gouvêa, que é engenheiro agrônomo de formação, mais conhecido como Tonga, acredita que, neste mês de julho principalmente, por conta das férias escolares, até dezembro, tenha um incremento no número de visitantes. "Todo o tempo, nós recebemos turistas, mesmo o 'turista de chuva' com capa, guarda chuva e tudo; sempre tivemos um fluxo na horizontal", explica.
Uma boa parte desses turistas é atraída pelo búfalo. Segundo explica Gouvêa, o visitante recebe primeiramente informações específicas sobre o búfalo: como o animal chegou na ilha do Marajó; a importância econômica; como o búfalo interage com o homem e se alimenta e qual a capacidade que o Marajó tem de criar búfalos sem derrubar uma árvore. "A gente informa como o animal pode conviver com o sistema do Marajó sem alterá-lo; nós discutimos aqui sobre o valor proteico da carne", enumera Tonga.