Pará passa a celebrar povos originários nas políticas rurais
Empresa do estado promove reflexão sobre etnias indígenas
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) reúne servidores e convidados em um momento de imersão cultural para encerrar a programação 'Abril Indígena 2026', que celebrou o dia 19 de abril, Dia Nacional dos Povos Indígenas.
A programação institucional realiza-se no Auditório Alberto Bentes Guerreiro, no escritório central da Emater, em Marituba, na Região Metropolitana de Belém (RMB), e destaca a exibição do curta-metragem paraense "Quem Quer" (2025), de direção, produção e elenco indígenas.
"É um filme-manifesto que denuncia o apagamento histórico e imperialista da presença indígena não só na Amazônia paraense, e sim na sociedade como um todo. Enfrentamos o desafio de desmistificar o que é insistente de caricatura e de estereótipo. 'Indígena' é diferente de 'índio': nós existimos não só pelo viés racial, fenotípico, mas pelo viés étnico. O território é sagrado, porém não nos limita: protagonizamos um movimento de retomada de ancestralidade e de repertencimento, independentes de aldeamento", resume o roteirista da obra, Porakê Munduruku, de 44 anos.
Porakê, que adota também o nome civil de Glailson Santos, engenheiro agrônomo especialista em Gestão e Educação Ambiental, atualmente com atuação na Coordenadoria de Educação Ambiental (Ceam) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), é autor do livro "Imuê'en" ("retribuição", no idioma munduruku), de subtítulo "Por um estar no mundo originário".
Reconstrução de conhecimentos
Porakê se autodenomina um "mombe'usara" ("contador de histórias e estórias"), e é o debatedor principal da roda-de-conversa "Quem Quer? Culturas Indígenas, Memória e Identidade, com mediação das servidoras da Emater engenheira agrônoma Alda Lúcia do Remédio. Ela é especialista e mestra em Gestão Pública, do Núcleo de Metodologia e Comunicação (NMC), e da bibliotecária Nalzelí Pereira, especialista em Gestão Tecnológica da Informação, da Biblioteca Lucivaldo Coelho.
"Na perspectiva de ater [assistência técnica e extensão rural] indígena, este é um momento de reconstrução de conhecimento, no sentido de trazermos informações pelas vozes de quem tem lugar de fala: os indígenas. O colonizador cria um imaginário que precisamos desfabular, desconstruir, porque a realidade é o norte inclusive da efetivação de políticas públicas de atendimento indígena com a qual a Emater contribui em todas as regiões do Pará", diz Do Remédio.