400 histórias de superação em hospital de Belém
Pacientes de hospital oncológico tocaram o "Sino da Vitória"
O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, celebrou na quarta-feira (11) o 400º toque do "Sino da Vitória", símbolo que marca o fim do tratamento oncológico de pacientes na unidade.
A estudante Vitória Moreira, de 15 anos, foi a quadringentésima paciente a protagonizar o momento, após mais de cinco anos de acompanhamento e tratamento especializado.
A cerimônia reuniu colaboradores, pacientes e familiares em um momento de emoção e celebração. O toque do sino representa a conclusão do tratamento e reforça a esperança de outras famílias que ainda enfrentam a jornada contra o câncer.
Início da jornada
A história de Vitória começou em 2019, quando ela tinha apenas 7 anos.
A mãe, a dona de casa Keli Trindade, de 40 anos, percebeu um inchaço na região da mandíbula da filha. Inicialmente, a suspeita era de papeira - infecção viral também conhecida como caxumba, que provoca inflamação das glândulas salivares. "Mas, com o tempo, o inchaço foi aumentando e comecei a sentir que poderia ser algo mais sério", recordou Keli.
Após procurar atendimento médico, um especialista identificou três nódulos. Durante os exames, surgiu ainda um novo nódulo próximo ao olho direito.
Depois da biópsia, Vitória foi diagnosticada com uma doença linfoproliferativa e encaminhada para tratamento no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo. "Eu morava em Igarapé-Açu e fui descobrir o que era a doença e como seria o tratamento quando cheguei ao Hospital Octávio Lobo", contou a mãe.
Desafios
O diagnóstico marcou o início de um período desafiador para a família. Keli precisou reorganizar completamente a rotina para acompanhar a filha nas consultas e sessões de quimioterapia. "Precisei mudar tudo. Minha prioridade era apoiar minha filha e estar com ela no hospital. Isso gerou muitos conflitos, e decidi seguir sozinha para preservar a tranquilidade dela. Meu maior medo era o de não ser suficiente, mas, desde o início, Deus estava presente", relatou.
Durante o tratamento, Vitória enfrentou momentos difíceis, principalmente no início da quimioterapia. Mesmo diante dos efeitos adversos, manteve a determinação e encontrou formas de lidar com o processo.
"Ela sentia muito sono, tinha vômitos e dores. Mesmo assim, sempre demonstrou muita força. Minha filha é carinhosa, obediente e muito forte", disse a mãe. Para se distrair durante o tratamento, a adolescente desenhava.