Aderecista de Parintins participa do "Carnaval do Meio do Mundo"
Ex-integrante das festas do Boi mudou-se para ajudar escola no Amapá
O Carnaval do Meio do Mundo se consolida como uma grande celebração, ganhando cada vez mais notoriedade. O evento, realizado com o apoio do Governo do Estado, gera oportunidades de emprego e renda para pessoas de diferentes categorias e regiões.
A jovem Yasmin Silva, de 21 anos, natural de Parintins, no Amazonas, mudou-se para a capital amapaense há dois meses para trabalhar na Escola de Samba Boêmios do Laguinho.
Aderecista com cerca de um ano de experiência, Yasmin considera a vivência no Amapá bastante valiosa, pois, além de representar uma oportunidade profissional, permite o contato com outras culturas.
Novas portas
"Primeiro, é uma grande experiência, porque trabalhamos muito com isso no Festival de Parintins, com os bois Caprichoso e Garantido. Então, vir para cá é como se novas portas se abrissem para nós, o que nem sempre é fácil. É uma honra e uma alegria muito grande participar desse Carnaval e aprender um pouco sobre esse estado tão rico", declarou Yasmin.
A jovem também destacou o sentimento de saber que ajudará a abrilhantar o Carnaval amapaense com os detalhes dos carros alegóricos que desfilarão pela avenida do samba. Ela comentou ainda sobre os planos em relação à profissão.
"Estou muito feliz e espero que isso renda bons frutos, e que eu seja convidada a voltar no próximo ano. Se for, voltarei com o mesmo entusiasmo e será uma satisfação participar novamente, fazendo tudo com muito carinho para ser lindo mais uma vez, como será agora", finalizou a aderecista.
Alcione
Com o objetivo de promover o reconhecimento nacional da cultura afro-amapaense, o governo do Amapá lançou, na semana passada, nas plataformas digitais, o projeto "Marabaixo: Tradição do Amapá", interpretado pela cantora, compositora e instrumentista Alcione, em parceria com artistas amapaenses.
O projeto reúne um pot-pourri com algumas das canções mais representativas da cultura do estado, incluindo os chamados ladrões de marabaixo, versos e cantigas que compõem essa manifestação cultural, como "Rosa Branca Açucena", "Meu Sarilho é Dobrador", "Eu Caio, Eu Caio" e "Aonde Tu Vai, Rapaz?", de Raimundo Ladislau.
Mangueira
A escolha da renomada artista foi motivada pela sua forte conexão com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que, em 2026, vai homenagear o Amapá com o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra", destacando a figura de Mestre Sacaca, curandeiro popular e símbolo da sabedoria ancestral amazônica.
Além da intensa ligação com os estilos musicais do Norte e do Nordeste, ao longo da carreira, Alcione transitou por diversos ritmos, como forró, xote, baião, maracatu, toadas de bumba meu boi, entre outros gêneros das diferentes regiões do país.
A cantora, conhecida como "Marrom", apesar de sua vasta experiência musical, ainda não conhecia o Marabaixo. Ela afirmou sentir-se honrada com o convite feito pelo Governo do Estado e com a oportunidade de registrar essa expressão da cultura popular brasileira.
"É sempre bom conhecer coisas novas. Foi maravilhoso conhecer e cantar o Marabaixo, porque o Brasil é um país de tantos ritmos, de tantas raças, e isso representa a beleza da nossa cultura popular. Onde a gente vai, tem um pedaço da nossa gente", destacou Alcione.
Marabaixo
O Marabaixo é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Trata-se de uma celebração que reúne conhecimentos tradicionais, dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana. Trazida para a Amazônia por negros escravizados, sua origem remonta ao período da escravidão.
