Descarte de leite materno gera alerta no Amapá

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O Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital da Mulher Mãe Luzia, em Macapá (AP), enfrenta um desafio preocupante: apesar da boa adesão de mulheres à doação, uma quantidade significativa do leite arrecadado acaba sendo descartada por contaminação.

O problema, segundo a coordenação da unidade, está principalmente na falta de cuidados básicos durante etapas essenciais do processo, como a higiene, a coleta e o armazenamento do leite realizado em casa.

De acordo com a coordenadora do Banco de Leite Humano, Fadianne Soares, todo o leite doado passa por um rigoroso controle de qualidade antes de ser pasteurizado e distribuído aos bebês que mais precisam, especialmente recém-nascidos prematuros e internados nas unidades neonatais.

"Temos doação, mas infelizmente uma grande parte está sendo descartada. A equipe orienta, mas percebemos a necessidade de reforçar ainda mais as informações. Muitas perdas acontecem Sujidade e floculação, proveniente do armazenamento, quando o leite não congela totalmente, algo que pode ser evitado com cuidados simples durante a coleta", explicou Fadianne.

Os dados dos últimos meses evidenciam o problema. Em setembro, foram recebidos 18 mil ml de leite humano cru, com aproveitamento de apenas 29,68% após a pasteurização. Em outubro, dos 47,8 mil ml coletados, apenas 33,6% foi aproveitado.

Em novembro, o índice caiu para 24,33%, e em dezembro chegou a 21,05%, mesmo com a entrada de mais de 55 mil ml de leite cru no laboratório. Todo o volume descartado apresentou algum tipo de sujidade, o que inviabiliza o uso seguro para os bebês.

Abastecimento

Segundo a coordenadora, a situação impacta diretamente o abastecimento das unidades neonatais.

"Estamos recebendo bastante leite, porém, mais da metade é desprezado porque não passa na análise. Isso afeta o atendimento aos recém-nascidos de baixo peso e prematuros, nosso principal público-alvo", ressaltou.