Festival celebra demarcação de terra indígena no Acre

Festividades acontecem na Nação Shawadawa

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De sexta-feira (9) a domingo (11), aconteceram na Aldeia da Foz do Nilo, às margens do Rio Cruzeiro do Vale, um afluente do Rio Juruá, as festividades dos indígenas da Nação Shawadawa.

Durante esses quatro dias, foram realizadas muitas brincadeiras e danças inspiradas nos animais da floresta e em elementos da natureza.

As pessoas se pintaram com grafismos característicos, conhecidos como kenês, e se vestem com roupas típicas dos seus antepassados.

Simultaneamente durante as noites no kupichwa (templo), foram realizadas cerimônias espirituais tradicionais, com medicinas da floresta.

Os rituais com cantos, danças e pinturas corporais foram embalados por instrumentos musicais, com o propósito de despertar a consciência dos participantes para o conhecimento ancestral dos povos originários.

Reencontro

A secretária extraordinária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, que tem sua origem na Aldeia Foz do Nilo, é uma incentivadora do Festival Cultural do Povo Shawadawa.

"Esse é um reencontro do nosso povo, que comemora a demarcação do Território Arara [nome dado pelos brancos para os Shawadawa] e simboliza a libertação da sua escravidão aos seringalistas. Nesse tempo fomos obrigados a deixar de falar o nosso idioma original e perdemos muitos costumes. O Festival é um marco para a retomada cultural do Povo Shawadawa", lembra Francisca.

11 aldeias

Um dos aspectos mais importantes do Festival é o reencontro dos Shawadawa dos mais diferentes lugares.

"Estamos reunindo 11 aldeias, em torno de mil araras dos rios Cruzeiro do Vale, Bagé, Valparaiso, e também muitos que moram em cidades como Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Marechal Thaumaturgo, Tarauacá e Feijó. E também recebemos visitantes Shanenawa, Puyanawa, Kuntanawa e pessoas de outros estados e países", relata a secretária.

O 6º Festival Kãda Shawã Kaya teve o patrocínio da ONG norte-americana EDF e o apoio do governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi) e da Secretaria de Empreendedorismo e Turismo (Sete) e também da Prefeitura de Porto Walter.

"Foram investidos, na organização, R$ 800 mil, que, na verdade, foram distribuídos para as diversas famílias que trabalharam na produção do Festival. Esse tipo de evento gera distribuição de renda para as comunidades indígenas. E movimenta o comércio de toda a região do Juruá. Em 2026, o governo do Acre terá, no seu calendário oficial, 24 festivais de diferentes etnias indígenas e todos receberão apoio do Estado", informa Francisca.

Para a secretária, o mais importante desses eventos, além da geração de oportunidades e renda, é a divulgação e o fortalecimento das culturas originárias ancestrais do Acre.

"É inspirador ver a juventude à frente de todo o movimento cultural e o reconhecimento da sua riqueza".