Governo do Tocantins amplia ações contra hanseníase

Janeiro Roxo chama atenção para diagnóstico precoce da doença

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Por Isabel Dourado

A campanha Janeiro Roxo é dedicada à conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da hanseníase. A doença infecciosa crônica é causada pelo Mycobacterium leprae. A Secretaria de Saúde do Estado do Tocantins (SES) aderiu à campanha do Ministério da Saúde (MS), que este ano traz o tema "Janeiro a Janeiro: vencer a hanseníase é cuidar do Brasil o ano inteiro". O objetivo da campanha é sensibilizar a sociedade para a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública.

Em 2025 o Tocantins diagnosticou 807 casos novos da doença; destes, 33 casos foram em menores de 15 anos. A Secretaria enfatiza a necessidade de cada gestor municipal organizar e desenvolver atividades alusivas e campanhas para o fortalecimento da resposta nacional rumo à eliminação da hanseníase como problema de saúde pública.

Os principais sintomas da doença são: aparecimento de manchas brancas, avermelhadas ou amarronzadas; alteração na sensibilidade térmica (ao calor ou ao frio) ou à dor; formigamento; áreas com diminuição dos pelos e da sensibilidade; e fisgadas.

Os casos de hanseníase são diagnosticados por meio do exame físico geral, dermatológico e neurológico, para identificar lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.

Eliane de Oliveira, Chefe do departamento de Microbiologia médica do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IMPG/UFRJ), explica que a hanseníase é uma doença crônica que evolui ao longo do tempo, causando um comprometimento progressivo do sistema nervoso do paciente. "A hanseníase pode acometer a função motora e comprometer a autonomia do indivíduo por conta da cronicidade da doença, especialmente se não for tratada. Por isso, é necessário procurar o médico logo no início dos sintomas, pois é totalmente tratável."

Em 1995, como iniciativa inovadora para a ressignificação social da doença, o Brasil determinou, por meio da Lei nº 9.010, que o termo "lepra" e seus derivados não podem mais ser utilizados para se referir à doença. Oliveira reforça que o tratamento contra a hanseníase está disponível de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela cita também a vacina inédita para hanseníase que será testada no Brasil pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). Chamada de LepVax, a vacina será a primeira para a doença avaliada no país durante testes clínicos.

O microbiologista e professor do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Guimarães da Fonseca, explica que a campanha do Janeiro Roxo é fundamental para quebrar o estigma da doença.

"É importante levar essas informações ao público, especialmente para conscientizar as pessoas de diversas formas, retirando o estigma social do 'leproso'. Isso não existe mais. É uma doença como qualquer outra. É totalmente tratável e precisa ser diagnosticada. É necessário levar conhecimento à população, desmistificando a ideia de que a doença deve ser tratada com isolamento. Não é assim. Isso já foi feito, por exemplo, com o HIV, exatamente por meio dessas campanhas públicas."