PF reprime garimpo ilegal no estado do Amazonas

Atuação federal já causou prejuízo de R$ 623 milhões ao crime

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Por Isabel Dourado

A Polícia Federal realizou uma operação contra o garimpo ilegal nas proximidades da Ponte do Rio Negro, em Manaus.

A ação teve o apoio da 2ª Companhia de Operações Fluviais do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas.

O objetivo da operação foi reprimir atividades ligadas ao garimpo ilegal na região. A operação foi deflagrada após denúncias indicando o funcionamento de estaleiros clandestinos que estariam sendo usados para a construção e reforma de dragas destinadas ao garimpo ilegal.

Após levantamentos realizados pelos agentes federais, foi confirmada a existência das estruturas irregulares.

Durante a fiscalização, os responsáveis pelos locais não apresentaram as autorizações exigidas para funcionamento, conforme determina a Norma da Autoridade Marítima (Normam-03), da Marinha do Brasil. Nos estaleiros, foram encontradas estruturas típicas de dragas de garimpo, algumas contendo inscrições do município de Porto Velho (RO).

No total, foram apreendidas seis embarcações que já estavam sendo utilizadas ou seriam destinadas ao garimpo ilegal, duas dragas completas, um rebocador novo sem motor e duas balsas/dragas que continham ferramentas de garimpo.

Além disso, foram apreendidos vários equipamentos usados na atividade de garimpo ilegal, como tapetes e separadores de ouro, maçaricos, bacias de garimpagem, entre outros materiais.

Para o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e especialista em Organização Econômica dos Territórios de Mineração na Amazônia, João Márcio Palheta, a atuação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Militar é fundamental, pois incide diretamente sobre o elo estrutural do garimpo ilegal e atinge a cadeia logística e produtiva que sustenta essa atividade ilícita.

Segundo ele, a Polícia Federal tem feito operações muito bem estruturadas para reprimir o garimpo ilegal. "A integração entre a Polícia Federal e Polícia Militar Ambiental, com as normas do Estado brasileiro e da Marinha, está coerente com aquilo que a gente vê como técnicas disponíveis para combater tudo isso, que está no sentido de que proteger a Amazônia exige cortar a logística do crime, não apenas reagir aos seus danos. É preciso cortar, destruir, desfazer, descortinar essa ilegalidade do ouro", afirma.

Desde 2024, o governo federal tem atuado em diversas frentes focadas em inteligência, comando e controle por meio de agências federais como Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Federal e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para desarticular o garimpo ilegal.

Criada em março do ano passado, a Casa de Governo já registrou a apreensão de 249 quilos de ouro, equivalentes a R$ 184 milhões, conforme a cotação atual. A maioria das apreensões ocorreram em Manaus e em Boa Vista.

Segundo informações da Casa de Governo, além das grandes apreensões, quantidades menores, às vezes apenas algumas gramas, são encontradas diariamente por agentes federais durante incursões no território, compondo o total de 249 kg.

Palheta explica que a operação evidencia que Manaus tem integrado, de forma mais intensa, a cadeia produtiva do garimpo ilegal na Amazônia. Segundo ele, a apreensão das embarcações, dragas e outros equipamentos evidencia que o garimpo ilegal tem crescido na região e ocorre em redes interestaduais; conecta rios, municípios e os estados.

"Novas dragas, balsas e rebocadores são um indicativo de que isso está crescendo, não diminuiu, está crescendo. Então, a gente tem, sim, em Manaus, a ideia de que o garimpo ilegal vem crescendo, não necessariamente, como local direto de extração, mas como centro estratégico de suporte, logística e infraestrutura para essa atividade ilegal", disse.