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Biocarvão de coco passa por teste industrial no Ceará

Pesquisa com Energia Pecém avalia resíduo para gerar energia térmica

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Foram processadas mais de 19 toneladas de casca de coco verde

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Usina Termelétrica (UTE) Energia Pecém realizaram, em 14 de outubro, um teste industrial de co-combustão com biocarvão produzido a partir da casca de coco verde e carvão mineral. O ensaio ocorreu no Complexo Termelétrico Pecém e integra o Projeto Carvão Híbrido, desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

A iniciativa avalia o desempenho do combustível feito com resíduo agroindustrial e sua possível aplicação na geração de energia. A mistura pode reduzir parcialmente o uso de combustível fóssil e ampliar o aproveitamento de resíduos, mas os resultados técnicos e ambientais ainda serão analisados.

Para produzir o biocarvão, foram processadas mais de 19 toneladas de casca de coco verde. O material resultou em mais de 6 toneladas de pellets, usados para obter aproximadamente 1,5 tonelada de biocarvão. O combustível foi misturado ao carvão mineral e submetido ao ensaio na usina, para avaliar a tecnologia.

O trabalho é desenvolvido pela Uece, por meio do Laboratório de Conversão Energética (LCE), vinculado aos Laboratórios Associados de Energia, Inovação e Sustentabilidade (LAIS), em parceria com a Energia Pecém, do Grupo Diamante Energia. A pesquisa reúne profissionais e estudantes de diferentes instituições e áreas, incluindo Engenharia, Química e Energia.

Mais de 40 pessoas participam direta ou indiretamente do projeto.

A proposta aproveita cascas de coco verde, resíduo presente em grande quantidade no Ceará, para desenvolver uma alternativa de combustível sólido. A combinação com carvão mineral é estudada para verificar se o material pode ser incorporado à estrutura usada na geração termelétrica, sem comprometer a segurança e a eficiência da operação.

O projeto integra a agenda de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação regulada pela ANEEL e busca produzir dados sobre a viabilidade operacional e o potencial de redução da pegada de carbono. A avaliação deverá orientar as próximas etapas. A iniciativa não representa a substituição total do carvão mineral: o objetivo é estudar o uso parcial do biocarvão e medir seus efeitos na geração de energia.