Obra literária revive militante alagoana

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O livro "Alba, a beata comunista - fé e subversão na ditadura militar em Alagoas", publicado pela Editora da Universidade Estadual de Alagoas (Eduneal), teve lançamento realizado na última sexta-feira (10), às 19h, na Associação Comercial de Maceió.

A obra apresenta a trajetória de Maria Alba Correia da Silva, mulher negra, educadora e militante que, aos 88 anos, segue como referência de resistência democrática no estado.

História da militante

Nascida em 13 de maio de 1938, no bairro do Farol, em Maceió, Alba atravessou o período da ditadura militar atuando na proteção de perseguidos políticos, acolhendo amigos e famílias inteiras em momentos de repressão. Durante a clandestinidade, adotou o codinome Marta, estratégia utilizada para preservar a própria segurança e a dos companheiros diante da vigilância do regime.

Militante da Ação Popular (AP) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Alba também participou do Movimento de Educação de Base (MEB), mantendo, ao longo de sua trajetória, um vínculo com a Teologia da Libertação. Sua atuação se estendeu a diferentes áreas, incluindo educação, meio ambiente e movimentos sociais.

Religiosa, ambientalista e educadora, Alba Correia atuou como professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e teve participação na construção de políticas públicas educacionais e na articulação de movimentos feministas no estado. Sua história contribui para ampliar o debate sobre a participação de mulheres, especialmente mulheres negras, na memória política brasileira.

Sobre o livro

A obra é estruturada em três partes. Na primeira, apresenta um panorama cronológico das diferentes fases da vida da militante. Na segunda, Alba assume a narrativa em primeira pessoa, em textos contínuos que dialogam com a própria memória. A terceira parte reúne um álbum com imagens e recortes de jornais preservados ao longo de décadas, que ajudam a contextualizar os acontecimentos narrados.

Organizado pelos jornalistas Cíntia Ribeiro e Ênio Lins, o livro resulta de uma pesquisa iniciada em 2020, reunindo depoimentos de militantes históricos em Alagoas e documentos que ajudam a reconstruir episódios marcantes do período da ditadura militar no estado. As orelhas da publicação são assinadas por Aldo Arantes e Vera Romariz, enquanto a quarta capa é de autoria da médica, baterista e deputada federal Jandira Feghali. O projeto gráfico é assinado por Cícero Rodrigues, responsável pela organização visual do material iconográfico reunido ao longo da pesquisa.