Pernambuco avança com investimentos em saneamento

A medida tem como objetivo ampliar o acesso à água e ao esgotamento sanitário

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A rotina de Lindalva Vasconcelos, moradora do município de Bezerros, começava com uma incerteza: não saber se haveria água suficiente para as tarefas básicas do dia. Hoje, com a chegada do abastecimento regular, a realidade é outra. "Agora é água na torneira todos os dias", resume.

A transformação vivida por ela reflete um conjunto de ações do governo de Pernambuco voltadas à segurança hídrica e ao saneamento básico. Em comemoração ao Dia da Água, celebrado no último domingo (22), a gestão estadual destaca as iniciativas desenvolvidas por meio do programa Águas de Pernambuco, que concentra mais de R$ 6,1 bilhões em investimentos em diferentes regiões, do Litoral ao Sertão.

Um dos principais eixos dessa estratégia é a concessão parcial dos serviços de saneamento, realizada em dezembro de 2025, na B3, em São Paulo. A medida tem como objetivo ampliar o acesso à água e ao esgotamento sanitário, com previsão de R$ 23,2 bilhões em investimentos ao longo dos próximos anos.

Pelo modelo adotado, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) permaneceu responsável pela produção e tratamento de água, enquanto a iniciativa privada passou a atuar na distribuição e nos serviços de coleta e tratamento de esgoto.

Os grupos vencedores do leilão (Consórcio Pernambuco Saneamento e Pátria Investimentos) investem, juntos, cerca de R$ 19 bilhões na ampliação da rede e na melhoria dos serviços. Além disso, o processo de concessão gerou R$ 4,2 bilhões em outorgas, recursos que serão destinados à universalização do saneamento e a obras de infraestrutura nos municípios, com prioridade para o setor.

Agreste

No Agreste pernambucano, as ações do Águas de Pernambuco envolvem três frentes principais: a Adutora do Agreste, a Barragem de Panelas II e a interligação com o sistema Jucazinho.

A Adutora do Agreste segue em andamento para conclusão da primeira etapa, com obras concentradas na Estação de Tratamento de Água (ETA) Salgado, em Caruaru, e em Santa Cruz do Capibaribe. O projeto vai ampliar o abastecimento em municípios como Arcoverde, Caruaru e Gravatá, além de permitir a integração com a Adutora do Alto Capibaribe, beneficiando cidades como Vertentes, Frei Miguelinho, Vertente do Lério e Santa Maria do Cambucá, que deixam de depender exclusivamente do sistema Jucazinho. A previsão de conclusão é maio de 2026, com investimento de R$ 149 milhões e impacto estimado em 200 mil pessoas.

Outra entrega é a Barragem de Panelas II, em Cupira, concluída em dezembro de 2025. A estrutura integra o sistema de controle de enchentes da Mata Sul e tem capacidade para 16,9 milhões de metros cúbicos de água. A obra foi retomada em 2023 e recebeu investimento de R$ 103,2 milhões.

Também foi concluída a interligação entre a Adutora do Agreste e o sistema Jucazinho, ampliando a oferta de água para Caruaru e outros municípios do Agreste, como Toritama, Bezerros, Riacho das Almas e Surubim. A intervenção aumentou a vazão de água da transposição do Rio São Francisco de 200 para 600 litros por segundo e beneficiou cerca de 800 mil pessoas.

Morador de Bezerros, Carlos Augusto relata que a chegada da água regular mudou a rotina da população.

"Era complicada a vida da gente. A salvação, na maioria das vezes, era carro-pipa, mas como a gente tem um salário reduzido, o impacto era bem grande no bolso. A transposição veio aliviar tanto a situação financeira quanto a situação hídrica. Temos água todos os dias e de boa qualidade", afirma.

Região Metropolitana do Recife (RMR)

Já na Região Metropolitana do Recife, as ações incluem intervenções voltadas à regularização do abastecimento, ampliação da rede e melhorias no sistema de esgotamento sanitário. No bairro do Alto José do Pinho, no Recife, está sendo realizada a regularização do abastecimento com investimento de R$ 500 mil.