Ceará tem a menor taxa anual de desemprego desde 2012

O estudo tem como autor o analista de Políticas Públicas Daniel Suliano

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A taxa de desemprego no Ceará caiu para 6,5% em 2025, o menor patamar de toda a série histórica iniciada em 2012. O índice representa recuo de 0,5 ponto percentual em relação a 2024, quando o Estado havia registrado 7%, consolidando uma trajetória contínua de recuperação do mercado de trabalho após o impacto da pandemia de Covid-19.

Um novo status

O resultado coloca o Ceará ligeiramente acima da média nacional, que ficou em 5,6% no ano anterior, mas bem abaixo da taxa média do Nordeste, estimada em 7,9%. O desempenho reforça a tendência de melhora observada desde 2022, quando o desemprego no Estado recuou para 9,5%, após ter atingido o pico de 14% em 2021, auge dos efeitos econômicos da crise sanitária.

Os dados constam no estudo "Mercado de Trabalho Cearense Atinge Mínima Histórica no Ano de 2025", publicado na edição nº 315 do Enfoque Econômico, da Diretoria de Estudos Econômicos do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). A análise é assinada pelo analista de Políticas Públicas Daniel Suliano.

Crescimento gradual

Segundo o levantamento, a redução da desocupação ocorre de forma gradual e consistente ao longo dos últimos quatro anos. Em 2022, o índice caiu 4,4 pontos percentuais na comparação com 2021, passando de 14% para 9,5%. Em 2023, houve novo recuo, para 8,5%, seguido de queda para 7% em 2024, até alcançar os atuais 6,5% em 2025.

Antes da pandemia, a menor taxa já registrada no Ceará havia sido de 7,1%, em 2014. Nos anos anteriores da série histórica, o Estado contabilizava 7,8% em 2012 e 7,7% em 2013.

O resultado atual, portanto, supera inclusive o melhor desempenho do período pré-pandêmico e consolida uma nova referência para o mercado de trabalho local.

De acordo com o autor do estudo, o comportamento do mercado de trabalho cearense acompanha o processo de normalização da atividade econômica observado no país. Ele destaca que, conforme comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, a economia brasileira tem apresentado resiliência no mercado de trabalho, operando em ritmo próximo ao pleno emprego ou até mesmo acima dele em alguns momentos.

A melhora do indicador reflete a retomada gradual de setores que haviam sido fortemente impactados pelas restrições sanitárias, como comércio e serviços, além do fortalecimento da indústria, da construção civil e de segmentos ligados à infraestrutura e à logística.

O avanço também está associado ao aumento da formalização, à expansão de micro e pequenas empresas e à ampliação de oportunidades em atividades intensivas em mão de obra.

Apesar do resultado positivo, o estudo ressalta que o cenário ainda exige atenção, especialmente diante de desafios estruturais como informalidade, qualificação profissional e geração de empregos de maior produtividade e renda. A comparação com a média nacional indica que ainda há espaço para convergência, embora o desempenho já coloque o Ceará em posição mais favorável dentro do contexto regional.

Sobre o levantamento

No Nordeste, onde a taxa média de desemprego permanece superior à nacional, o desempenho cearense se destaca por registrar índice significativamente inferior ao da região.

A diferença de 1,4 ponto percentual em relação ao indicador nordestino reforça a recuperação mais acelerada do Estado no pós-pandemia e sinaliza maior dinamismo relativo da economia local.

O levantamento completo, com detalhamento metodológico, séries históricas, recortes por sexo, faixa etária e nível de escolaridade, além de análise setorial, está disponível para consulta no portal do Ipece, permitindo acompanhar a evolução do mercado de trabalho e subsidiar políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda.