Programa Cisternas passa de 100 mil entregas no Nordeste
Iniciativa do governo federal garante captação e armazenamento de água
Erasmo da Silva em Boqueirão (PB), Iolanda Santos em Parnarama (MA) e Francisco Linhares em Senador Pompeu (CE) conhecem bem os efeitos da seca no semiárido nordestino. Agricultores familiares, eles guardam na memória os longos períodos de estiagem que sempre integraram a paisagem de suas cidades. Períodos que costumavam ser acompanhados de aumento da mortalidade de animais, casos de desnutrição de crianças e perdas econômicas na lavoura. Uma tecnologia social incentivada pelo Governo do Brasil desde 2003, e que voltou a ser prioridade em 2023, mudou cenários, criou oportunidades e significou melhoria de renda para os três, além de dezenas de milhares de outras famílias. O Programa Cisternas fechou 2025 com 104.300 unidades de captação e armazenamento de água entregues desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na comparação entre os anos de 2025 (48.900) e 2022, quando foram entregues 6,7 mil cisternas em todo o país, o crescimento é de 630%.
Francisco Linhares cultiva ovos, mel, leite, feijão, abóbora, acerola e pitanga em Senador Pompeu, município de 25 mil habitantes no centro do Ceará. A tecnologia de acesso à água transformou a relação do agricultor com o ambiente de chuvas escassas. Garantiu água potável à família e se tornou base para o desenvolvimento produtivo. Conectado ao programa desde 2006, hoje a propriedade dele tem um sistema hídrico completo, com cisternas, água de reúso, fossa ecológica e sistema agroflorestal. "A seca sempre existiu. A pessoa tem que aprender a conviver com ela". No município cearense, 423 cisternas foram entregues desde janeiro de 2023.
Do total de estruturas finalizadas desde o início do mandato, 88,6% estão no Nordeste (confira infográfico). Só em 2025, foram 48.900 entregas, 43 mil na região. Em alguns estados, a evolução é acentuada. Em Pernambuco, o salto foi de 15 finalizadas em 2022 para 4.400 em 2025, crescimento de 29.000%. Outros avanços expressivos ocorreram no Maranhão, de 19 para 701 (3.500%), no Rio Grande do Norte, de 218 para 2.300 (955%), e na Bahia, de 870 para 9.000 (934%).
O Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias simples e de baixo custo. O público-alvo é composto por famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo, e equipamentos públicos rurais atingidos pela seca ou falta regular de água. As famílias devem estar no Cadastro Único do Governo do Brasil. Pelo Novo PAC, são mais de 189 mil unidades contratadas na atual gestão, em uma meta de 219 mil. Há 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão em aportes. Desde 2003, são 1,34 milhão de unidades entregues.
O semiárido brasileiro é a região prioritária de atendimento. Nela, a principal tecnologia são as cisternas de placas, que captam e armazenam água de chuva para uso nos meses mais críticos de estiagem. O programa, contudo, tem um conjunto extenso de tecnologias sociais. As cisternas de 16 mil litros são voltadas ao consumo humano, para beber, cozinhar e escovar os dentes. Tecnologias como as cisternas de 52 mil litros têm o objetivo de viabilizar a produção de alimentos e suprir a necessidade de animais.
Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas mudaram a realidade do ambiente de ensino no município de Salvaterra. Abastecidas por poços artesianos, as escolas da região ficavam muitas vezes sem água quando faltava energia para as bombas d'água, o que dificultava a limpeza das salas, o preparo de alimentos e a higiene. Crianças e professores eram obrigados a voltar para casa. Com as cisternas, a captação no período chuvoso assegura o fornecimento na seca."
