Alagoas inicia em janeiro o chamado "vazio sanitário" da cultura da soja

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A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) informou que no dia 10 de janeiro terá início o período de vazio sanitário da cultura da soja em todo o estado, que se estenderá por 90 dias consecutivos, com término previsto para 10 de abril. Durante esse intervalo, é proibido o plantio da soja e a manutenção de plantas vivas da cultura em qualquer fase de desenvolvimento, incluindo plantas voluntárias que brotem espontaneamente nos campos, como forma de evitar a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática.

A medida fitossanitária, aplicada anualmente em Alagoas e em outras unidades da federação, integra as estratégias de defesa vegetal para interromper o ciclo reprodutivo do fungo Phakopsora pachyrhizi, responsável pela ferrugem asiática da soja — uma das doenças mais severas que afetam essa cultura no Brasil e no mundo, capaz de causar desfolha precoce, reduzir a produtividade e levar a perdas significativas na safra seguinte caso não seja controlada adequadamente.

De acordo com o Núcleo de Defesa Vegetal da Adeal, a proibição é válida para toda a extensão territorial de Alagoas, com atenção especial às áreas produtoras do grão. Ao longo dos 90 dias de vazio sanitário, os produtores rurais devem garantir que não haja qualquer plantio ou presença de plantas voluntárias de soja no solo, sob pena de sanções administrativas previstas na legislação de defesa agropecuária estadual. O vazio sanitário está previsto no âmbito do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS), instituído e atualizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por meio da Portaria nº 1.124/2024 e de seus atos normativos subsequentes, que estabeleceram o período de vazio sanitário e o calendário de semeadura da soja para a safra 2025/2026. Esse programa, executado pelos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal em articulação com o Mapa, estabelece medidas estratégicas de defesa sanitária vegetal com suporte da pesquisa científica e da assistência técnica, com o objetivo de reduzir ao máximo possível o inóculo da ferrugem asiática antes do início da próxima safra. O intervalo de vazio sanitário — que deve ser observado sem interrupções — é considerado uma ferramenta essencial para o manejo integrado dessa doença, pois limita a presença do hospedeiro vivo do fungo no campo. Sem plantas vivas de soja para sustentar o ciclo do patógeno durante a entressafra, a pressão da doença tende a diminuir, o que pode reduzir a necessidade de aplicações intensivas.