Jeff Alan: do grafite às telas
Exposição na Caixa Cultural reúne 50 obras do artista pernambucano
Por Mayariane Castro
A exposição "Comigo Ninguém Pode - A Pintura de Jeff Alan" está em cartaz na Caixa Cultural Brasília até 31 de maio. A mostra apresenta 50 obras do artista visual pernambucano Jeff Alan, incluindo 22 inéditas.
A visitação é gratuita e ocorre na galeria principal do espaço cultural. A visitação ocorre conforme o horário de funcionamento da Caixa Cultural Brasília.
Memória e pertencimento
A exposição reúne pinturas que abordam memória, identidade e pertencimento.
As obras apresentam personagens e situações inspiradas no cotidiano do artista, com referências à comunidade onde ele cresceu, no bairro do Barro, na zona Oeste do Recife. A mostra inclui telas de diferentes formatos e composições centradas na figura humana.
Com curadoria do antropólogo Bruno Albertim, a exposição já passou por unidades da Caixa Cultural em Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Fortaleza.
Segundo a organização, mais de 110 mil pessoas visitaram a mostra nessas cidades. Após a temporada em Brasília, o projeto seguirá em circulação nacional, com apresentações previstas em Curitiba e Belém.
Jeff Alan iniciou sua trajetória artística no grafite. A experiência com a arte urbana permanece como referência em sua produção atual, desenvolvida principalmente em pintura sobre tela.
As obras exibidas na exposição apresentam retratos e cenas inspiradas em moradores de sua comunidade, além de elementos relacionados às vivências pessoais do artista.
Históricos e sociais
De acordo com a curadoria, a exposição reúne trabalhos que dialogam com aspectos históricos e sociais do país. Para Bruno Albertim, a presença da mostra em Brasília amplia o debate sobre os temas abordados nas obras.
"Chegar a Brasília, este lugar de centralidade do poder, ressalta a leitura política das obras de Jeff e as deixam ainda mais densas. As telas expostas tratam do retorno à visibilidade, à nomeação e à figuração dos povos brasileiros com origem em África que foram alijadas do processo da modernidade", afirma o curador.
Nas pinturas, Jeff Alan apresenta personagens que fazem parte de seu convívio e de sua trajetória pessoal.
Diálogo com origens
Segundo o artista, o trabalho busca estabelecer diálogo com suas origens e com o território onde cresceu. "Quero que as pessoas se vejam nas minhas obras, sintam que pertencem a esses espaços que muitas vezes nos excluem", afirma.
