Arte peruana desde o bosque
Exposição no Instituto Cervantes explora os saberes da cultura indígena da Amazônia do país vizinho
Por Mayariane Castro
A exposição "Mirar el bosque desde el bosque" foi inaugurada e aberta na última terça-feira (27) no Instituto Cervantes de Brasília, com reproduções de obras dos artistas peruanos Dimas Paredes e Shoyan Shëca, ligados à região de Ucayali, na Amazônia peruana.
Realizada pela Embaixada do Peru e pelo Instituto Cervantes, a mostra tem curadoria de Gredna Landolt e apresenta pinturas que relacionam a floresta aos conhecimentos ancestrais, à espiritualidade e às formas de vida dos povos amazônicos.
A mostra propõe abordar a Amazônia a partir das perspectivas de artistas que cresceram em contato com o território e com as tradições culturais da região. Nas obras, animais, plantas, rios e árvores aparecem associados a seres espirituais e entidades protetoras, presentes nas cosmologias representadas pelos artistas. A floresta é apresentada não apenas como espaço físico, mas como um sistema de relações entre seres humanos, outras espécies e forças espirituais.
Concepções de mundo
A iniciativa também busca estimular a reflexão sobre as formas de interação entre a sociedade e o ambiente natural. Ao reunir duas trajetórias artísticas distintas, a mostra apresenta conhecimentos transmitidos entre gerações e concepções de mundo nas quais a preservação da natureza está relacionada ao equilíbrio entre os diferentes componentes do ecossistema.
Nascido em 1954, em Masisea, na região peruana de Ucayali, Dimas Paredes vive e trabalha em Pucallpa. Sua produção tem como referência os conhecimentos tradicionais da floresta e suas dimensões espirituais. O artista foi discípulo do pintor vegetalista Pablo Amaringo, conhecido por uma produção associada às experiências e aos saberes da Amazônia peruana.
As pinturas de Paredes apresentam composições detalhadas da vegetação amazônica e de seres associados à proteção da natureza. Plantas, animais e entidades espirituais aparecem integrados em cenários que remetem às relações entre o mundo natural e as tradições culturais da região.
A trajetória do artista inclui participação em exposições internacionais, entre elas "Amazonía Contemporánea", realizada em Madri, na Espanha. Suas obras também integram a coleção permanente do Museu de Arte de Lima (MALI), instituição dedicada à preservação e à divulgação da produção artística peruana.
A presença de Paredes na exposição de Brasília permite apresentar ao público uma produção que articula referências da paisagem amazônica e conhecimentos vinculados às tradições locais.