Modernismo: o futuro do passado do Brasil
Peça mostra como o movimento artístico de 1922 segue atual no mundo contemporâneo
Por Mayariane Castro
A Agrupação Teatral Amacaca (ATA) apresenta o espetáculo "Futuro do Passado" no Museu Nacional da República, em Brasília, até sábado (24), com sessões diárias às 20h. A montagem aborda a Semana de Arte Moderna de 1922 e a trajetória do modernismo brasileiro por meio de teatro, dança, música e artes visuais. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla, no endereço bit.ly/ATAFuturoPassado26.
A peça percorre diferentes espaços do museu e propõe uma leitura do movimento modernista a partir de questões contemporâneas.
A encenação relaciona as transformações culturais iniciadas no começo do século 20 aos debates atuais sobre sociedade, política, produção artística e identidade nacional. A temporada é realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
Antropafagia
Estreada em 2023, no mesmo local, a obra parte da antropofagia cultural, conceito associado ao modernismo brasileiro e à proposta de incorporar referências externas para produzir formas próprias de expressão. A ideia ganhou destaque com o Manifesto Antropófago, publicado por Oswald de Andrade em 1928, e se tornou uma das referências do debate sobre a construção de uma cultura brasileira independente de modelos europeus.
Em "Futuro do Passado", a ATA retoma esse pensamento para discutir a formação do modernismo e seus desdobramentos. A montagem foi concebida coletivamente pelo elenco, com coordenação geral de Márcia Duarte e direção cênica de Abaetê Queiroz, integrantes do grupo. O trabalho também presta homenagem ao diretor e professor de teatro Hugo Rodas, que participou da fundação da companhia e conduziu suas atividades até sua morte, em 2022.
Segundo Márcia Duarte, a proposta é revisitar o marco de 1922 a partir das questões do presente. A coordenadora afirma que o debate sobre o modernismo permanece relevante diante de disputas em torno do conhecimento e de conquistas culturais, sociais e políticas. A encenação busca, assim, aproximar a história das artes brasileiras das discussões sobre os rumos do país.
Para Abaetê Queiroz, a ocupação do Museu Nacional da República implica uma responsabilidade relacionada ao espaço e ao conteúdo apresentado. O diretor destaca que a montagem articula cenas, música, performances e instalações ao percurso do público pelo edifício.