Poder, dinheiro e política vestem a moda

Livro aborda as relações entre vestuário, capitalismo e questões de gênero

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Por Mayariane Castro

A jornalista e pesquisadora Iara Vidal iniciou a campanha de pré-venda do livro "Moda, a Filha Predileta do Capitalismo — O que a roupa que vestimos revela sobre o mundo que habitamos".

A obra será publicada pela Editora Alameda e tem lançamento previsto para ainda este ano.

A campanha está disponível no Catarse e busca viabilizar a publicação e ampliar a circulação do livro em universidades, coletivos, clubes de leitura e espaços de discussão sobre moda e sociedade.

O livro analisa a moda como um fenômeno relacionado à política, economia e relações sociais, com grande foco no capitalismo.

A autora parte da questão sobre o que as roupas utilizadas no cotidiano podem revelar a respeito da sociedade e investiga como o vestuário se relaciona com poder, identidade, consumo, trabalho e transformações culturais.

A obra percorre a história da moda moderna e estabelece relações entre o desenvolvimento do setor e diferentes momentos históricos. Entre os períodos abordados estão a Revolução Francesa e a formação da indústria da moda, chegando ao contexto atual, marcado pela circulação de tendências nas redes sociais e pelo uso de algoritmos na definição de padrões de consumo.

O conteúdo também trata da formação da indústria da moda e de sua relação com o capitalismo, das condições de trabalho e das cadeias produtivas internacionais, das relações entre moda e gênero, do consumo e da formação de desejos, dos impactos ambientais do setor e das disputas em torno da produção e do consumo no século 21.

Questão política

Na apresentação da obra, Vidal afirma que o livro propõe observar a moda como uma questão política.

A abordagem combina pesquisa histórica, análise política e experiências da autora para discutir o vestuário como uma forma de comunicação e como parte de processos econômicos e sociais.

A relação de Vidal com o tema começou na infância, a partir da convivência com a mãe, que trabalhava com costura para complementar a renda familiar. A experiência permitiu que a autora acompanhasse processos relacionados à produção de roupas e ao trabalho manual. Anos depois, durante a atuação como jornalista em Brasília, Vidal passou a observar também a relação entre vestuário e política. O trabalho na cobertura jornalística aproximou a autora dos códigos visuais presentes em ambientes institucionais, incluindo os espaços de poder político.

Essa trajetória aparece no livro como parte da construção da análise sobre a moda. A autora relaciona experiências pessoais, pesquisa e observação profissional para discutir como roupas podem carregar informações sobre grupos sociais, posições políticas, relações econômicas e identidades.