Mestres ampliam espaço para saberes no DF

Encontro de Mestres do Brasil tem oficinas, rodas de conversa e outras vivências

Por Mayariane Castro

O Boi do Seu Teodoro: um dos trabalhos de Mestres apresentado

O Encontro de Mestres do Brasil realiza, até sábado (29), uma programação gratuita voltada à transmissão de saberes, à formação e ao intercâmbio entre mestres, artistas, pesquisadores, estudantes e comunidades em Brasília.

Além das apresentações musicais e culturais na Arena Conic, o evento promove oficinas, rodas de conversa, vivências territoriais, formação em cenografia e uma Feira de Economia Criativa e Agricultura Familiar.

A programação paralela começou em 10 de agosto. A proposta foi criar espaços de convivência e aprendizagem nos quais conhecimentos relacionados às culturas populares fossem compartilhados entre diferentes gerações. As ações foram realizadas pelo Ibranova (Instituto Brasileiro de Inovação Cultural) e pela Formiga Produções, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

A programação foi organizada para distribuir as atividades entre diferentes espaços e territórios do Distrito Federal. A iniciativa considera que a transmissão dos saberes das culturas populares ocorre por meio da convivência, da prática e da participação das comunidades, e não apenas pela apresentação de repertórios em palcos.

Entre as atividades, aconteceram a Formação em Cenografia para as Culturas Populares, realizada nos dias 10, 17 e 24 de agosto, em parceria com o Instituto Federal de Brasília. O conteúdo abordou a cenografia como elemento das manifestações culturais e trata de processos relacionados à criação, à técnica, à produção, à comunicação e ao artesanato.

Transmissão de conhecimento

Segundo o curador Anderson Formiga, a atuação de mestres e mestras envolve a transmissão de conhecimentos e a formação de outras pessoas. A programação busca reconhecer esse processo e criar condições para que diferentes gerações tenham contato com essas práticas.

As vivências territoriais constituem outra parte da programação. Em Taguatinga, uma das atividades reúne o Jongo do Cerrado e as Sambadeiras, colocando mestres, brincantes, jovens e moradores em contato por meio da prática cultural. Outra ação envolve a Quadrilha Junina Filhos do Sol e apresenta o grupo como espaço de aprendizagem e organização comunitária durante todo o ano.

Para o curador Lucas Formiga, a relação entre cultura e território é parte do processo de transmissão dos conhecimentos. A proposta foi aproximar as atividades dos locais e das comunidades onde as manifestações culturais são praticadas. As rodas de conversa Dois Dedos de Prosa concentraram a discussão sobre o papel dos mestres e das mestras, as formas de ensino desenvolvidas pelas culturas populares e as condições enfrentadas por artistas e grupos para acessar políticas públicas, editais e mecanismos de sustentabilidade financeira.

Os encontros também reuniram representantes de comunidades, pesquisadores, educadores e gestores. A programação propôs o diálogo entre conhecimentos produzidos em contextos tradicionais e aqueles desenvolvidos no ambiente acadêmico. A intenção foi colocar diferentes formas de conhecimento em contato sem estabelecer uma hierarquia entre elas.

Café com Prosa

O Café com Prosa integrou esse eixo de convivência. A atividade foi concebida como momento de recepção e encontro entre participantes, instituições e comunidade antes das demais ações. A escuta e a troca foram apresentadas como parte do processo de aproximação entre os diferentes públicos. As oficinas vivenciais ampliaram a participação direta do público. A programação incluiu atividades relacionadas ao jongo, à Dança de Espadas, à música e ao movimento com Helder Vasconcelos, às práticas corporais com Maurício Badé, além de brinquedos populares e circo.

Nessas atividades, o conhecimento é trabalhado por meio da observação e da experimentação. A proposta permitiu que participantes tivessem contato com práticas culturais conduzidas por seus próprios integrantes e mestres. A Feira de Economia Criativa e Agricultura Familiar completou a programação paralela. O espaço reuniu artesãos, artistas, produtores e agricultores e criou uma oportunidade de circulação de produtos relacionados às comunidades e aos territórios representados no encontro.

A curadora Dani Freitas afirma que a continuidade das culturas populares depende da capacidade de transmissão e recriação dos saberes em diferentes contextos. Nesse processo, as manifestações são apresentadas como práticas que permanecem em circulação e estabelecem relações com o presente. “Na cultura popular, tradição e inovação caminham juntas: há criação na continuidade e futuro naquilo que é ancestral”, conclui Danielle Freitas.