Sonhos de uma noite seca de inverno

Famosa comédia de Shakespeare terá apresentações gratuitas no CCBB com montagem inédita

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Por Mayariane Castro

O primeiro desafio da montagem inédita da comédia "Sonhos de uma Noite de Verão", de William Shakespeare, que estrou no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) na quinta-feira (30) e prossegue até domingo (2) será desmentir a principal afirmação da peça: "Há quem diga que todas as noites são de sonho, mas há também quem garanta que só as noites de verão".

A adaptação colaborativa de Adriano Guimarães, Maria Moreira e Lucas Lima nos palcos de Brasília pretenderá provar, então, que noites secas de inverso como as dos últimos dias em Brasília também poderão ser de sonho, embaladas pela mente criativa do bardo inglês.

Dirigido por Adriano Guimarães, o espetáculo será apresentado no teatro da instituição sempre às 19h30, com entrada gratuita. No dia 1º de agosto haverá uma sessão extra, às 16h, com interpretação em Libras e audiodescrição. Após todas as apresentações, o público poderá participar de um bate-papo com o diretor e o elenco sobre o processo de criação da obra. Os ingressos poderão ser retirados gratuitamente pelo site do CCBB ou na bilheteria física da instituição, no dia anterior a cada sessão.

Relação palco/plateia

A montagem revisita uma das comédias mais conhecidas de Shakespeare e propõe uma leitura baseada na relação entre palco e plateia.

A adaptação foi desenvolvida de forma colaborativa por Adriano Guimarães, Maria Moreira e Lucas Lima, preservando a estrutura dramática do texto original enquanto incorpora uma encenação construída a partir do trabalho dos atores e da participação imaginativa do espectador.

Escrita por volta de 1595, a peça acompanha quatro jovens que fogem para uma floresta onde seus relacionamentos passam a ser influenciados por Puck, personagem ligado ao reino das fadas. Paralelamente, um grupo de artesãos prepara a apresentação de um espetáculo teatral para a corte ateniense, estabelecendo um jogo de teatro dentro do teatro. Ao longo da narrativa, elementos como paixão, desejo, enganos e fantasia conduzem o desenvolvimento da trama.

Segundo o diretor Adriano Guimarães, a permanência da obra no repertório teatral está relacionada à forma como Shakespeare concebia a cena. De acordo com ele, o dramaturgo escrevia para um palco com poucos recursos cenográficos, fazendo com que a palavra e a imaginação do público desempenhassem papel central na construção da narrativa. Para o diretor, essa relação continua sendo um dos elementos fundamentais da experiência teatral contemporânea.