Cai o pano. Começa a competição

Festival Dulcina estreia mostra competitiva com oito espetáculos em Taguatinga

Por Mayariane Castro

Pedra (p)arida é um dos espetáculos da mostra competitiva

A quarta edição do Festival Dulcina começa nesta sexta-feira (15) no Teatro SESC Paulo Autran, em Taguatinga, com uma mudança em seu formato. Pela primeira vez desde a criação do evento, a programação contará com uma mostra competitiva voltada exclusivamente para produções do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF). O festival segue até o dia 23 de maio com apresentações gratuitas abertas ao público.

Realizado com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, o festival mantém a proposta de homenagear a atriz e educadora Dulcina de Moraes, ligada à formação artística e teatral de Brasília. Nesta edição, a organização instituiu uma premiação em dinheiro para reconhecer diferentes áreas da produção cênica local.

Dez categorias

Ao todo, oito espetáculos foram selecionados para a mostra competitiva. Os trabalhos concorrem em dez categorias: atriz, ator, direção, dramaturgia, iluminação, sonoplastia, cenário, figurino, produção e espetáculo. O Prêmio Dulcina, destinado ao melhor espetáculo, concederá R$ 10 mil ao vencedor. As demais categorias terão premiação de R$ 4 mil cada. Todos os grupos participantes também receberão cachê de participação no valor de R$ 4 mil.

Segundo o diretor do festival, Cleber Lopes, a mudança de formato busca ampliar o reconhecimento da produção artística local e reforçar o papel do evento na valorização das artes cênicas do Distrito Federal. De acordo com ele, a proposta dialoga com a trajetória de Dulcina de Moraes na defesa da formação e da profissionalização artística.

“Por se tratar de um evento que homenageia Dulcina de Moraes e seu legado na formação e reconhecimento das profissões artísticas em âmbito nacional, o festival busca também reconhecer e qualificar a produção local”, afirmou o diretor.

A seleção dos espetáculos foi feita por uma comissão formada por profissionais ligados à pesquisa e à prática teatral no Distrito Federal. Integraram o grupo o multiartista e mestre em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília Roustang Carrilho, a atriz e produtora cultural Paula Sallas e o ator, cenotécnico e iluminador Rodrigo Lelis.

Diversidade

Segundo Cleber Lopes, a curadoria observou aspectos técnicos dos trabalhos inscritos e identificou diversidade de temas e linguagens na produção teatral do DF. O diretor afirma que essa pluralidade esteve presente no processo de escolha dos espetáculos selecionados para a mostra competitiva. “Nossas escolhas foram norteadas pela qualidade técnica apresentada pelos espetáculos. É notória, no Distrito Federal, a diversidade temática da produção atual”, declarou.

Além das apresentações teatrais, o festival realizará uma homenagem ao ator, diretor e dramaturgo Tullio Guimarães, morto em 2024. Durante toda a programação, o público poderá visitar uma exposição dedicada à trajetória artística do homenageado, reunindo referências sobre sua atuação na cena cultural brasiliense.

A programação inclui espetáculos produzidos por grupos e coletivos do Distrito Federal e da RIDE.

Entre os trabalhos selecionados estão “Pedra (p)Árida”, de Camila Guerra; “Atrás das Paredes”, da Companhia Plágio de Teatro; “Desdesempre”, do Coletivo CeinCena; “Se Eu Fosse Eu – Clarices”, da Agrupação Teatral Amacaca; “Um Lapso de Ouro e Vinho”, de Os Áuspices e Cia. Brasilienses de Teatro; “Baraúna Boi Valente”, do grupo Raízes do Encanto; “Os sonhos de Gaubi Beijodo: a dor e a delícia de ser quem é”, do coletivo BRs.a.; e “Galhada, em tempos de fissura”, do Teatro do Instante.

As sessões ocorrerão no Teatro SESC Paulo Autran, localizado em Taguatinga Norte. Segundo a organização, todos os espetáculos terão recursos de acessibilidade, incluindo tradução em Libras e audiodescrição. O Festival Dulcina foi criado com a proposta de ampliar espaços de circulação para produções teatrais do Distrito Federal e estimular o intercâmbio entre artistas, grupos e público. Ao longo das quatro edições, o evento passou a reunir diferentes formatos de encenação, pesquisa cênica e dramaturgia produzidos na capital federal e no entorno.

A organização afirma que o novo modelo competitivo busca fortalecer mecanismos de reconhecimento da produção local e ampliar a visibilidade de artistas e companhias da região. A expectativa é que o formato também contribua para estimular novas produções e consolidar espaços de difusão das artes cênicas no DF. Os ingressos para todas as apresentações serão gratuitos e distribuídos duas horas antes de cada sessão, conforme a capacidade do teatro.