Um bom batuque não tem idade

Itapoã promove oficinas de percussão para idosos com aulas gratuitas

Por Mayariane Castro

Projeto é gratuito, e voltado para quem tem mais de 60 anos

O projeto Avóz dos Tambores iniciou uma nova edição de oficinas gratuitas de percussão destinadas a pessoas com 60 anos ou mais na região do Itapoã. As atividades ocorrem às quintas-feiras, a partir das 15h, no Kanzuá do Batukenjé, localizado no Del Lago. As inscrições permanecem abertas até o preenchimento das vagas e podem ser feitas presencialmente no local.

As aulas começaram em 16 de abril e seguem por um período de cinco meses, com encontros semanais de uma hora e meia. Ao todo, o ciclo formativo prevê 20 encontros. A iniciativa é financiada pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

A proposta do projeto é oferecer atividades de formação musical com foco na prática coletiva da percussão. As oficinas são conduzidas pelo arte-educador Célio Zidório, que trabalha ritmos associados a manifestações da cultura popular brasileira. As aulas incluem exercícios em grupo e individuais, além de ensaios voltados a uma apresentação final aberta à comunidade.

De acordo com a organização, a metodologia adotada parte das referências musicais dos próprios participantes. As atividades incluem práticas de escuta, execução de diferentes instrumentos de percussão e momentos de troca entre os integrantes. Também são realizadas rodas de conversa para contextualizar os ritmos trabalhados, considerando aspectos históricos, sociais e culturais.

Acesso a idosos

O projeto foi estruturado a partir de ações socioculturais desenvolvidas na região desde 2020. A iniciativa busca ampliar o acesso de pessoas idosas a atividades culturais e educativas, além de incentivar a participação desse público em espaços coletivos. A proposta considera o crescimento da população idosa no país e a necessidade de políticas voltadas a esse grupo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população com 60 anos ou mais tem apresentado aumento contínuo no Brasil nas últimas décadas. Projeções indicam que esse grupo deve ultrapassar 30 milhões de pessoas nos próximos anos, o que amplia a demanda por iniciativas de inclusão social e cultural.

O Avóz dos Tambores também prevê uma apresentação de encerramento com os participantes das oficinas. O evento será aberto ao público e marcará a conclusão das atividades desenvolvidas ao longo do período.

Sonoridades

Durante os encontros, os participantes têm contato com diferentes sonoridades da percussão brasileira. A proposta não se restringe a um único instrumento, buscando apresentar múltiplas possibilidades dentro do campo musical. As atividades incluem ainda momentos de criação coletiva e prática rítmica.

De acordo com o coordenador das oficinas, o trabalho considera as experiências prévias dos participantes como ponto de partida para o aprendizado. A condução das aulas prioriza a construção conjunta das atividades, a partir das referências trazidas pelo grupo.

Para Célio Zidório, arte-educador do projeto, a proposta do projeto está diretamente ligada à escuta e ao reconhecimento das trajetórias dos participantes. “A gente não chega aqui para ensinar do zero, mas para construir junto. Cada pessoa já traz uma história, um ritmo, uma memória. A percussão entra como esse lugar de encontro, de troca e de alegria, onde todo mundo pode se expressar e se sentir parte”, afirma mestre Celín du Batuk do Batukenjé, como é conhecido.

O projeto mantém inscrições abertas diretamente no local das aulas. Não há cobrança de taxa para participação. A organização informa que as vagas são limitadas e preenchidas por ordem de inscrição. A iniciativa integra um conjunto de ações culturais voltadas ao território do Itapoã e regiões próximas. Ao final do ciclo, os organizadores pretendem reunir os participantes em uma atividade coletiva que sintetize os conteúdos trabalhados durante as oficinas.