Jeff Alan: negritude como ponto central da arte

Nova exposição do artista reúne 50 obras na Caixa Cultural, sendo 22 delas inéditas

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Por Mayariane Castro

Jeff Alan está de volta. Em março, o Correio da Manhã publicou reportagem sobre a mostra do artista pernambucano na mesma Caixa Cultural Brasília. A exposição foi um sucesso, e Jeff Alan está de volta, com 50 obras, incluindo 22 inéditas. A visitação é gratuita e ocorre na galeria principal do espaço cultural.

A exposição reúne pinturas que abordam memória, identidade e pertencimento. As obras apresentam personagens e situações inspiradas no cotidiano do artista, com referências à comunidade onde ele cresceu, no bairro do Barro, na zona oeste do Recife. A mostra inclui telas de diferentes formatos e composições centradas na figura humana.

Com curadoria do antropólogo Bruno Albertim, a exposição já passou por unidades da Caixa Cultural em Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Fortaleza. Segundo a organização, mais de 110 mil pessoas visitaram a mostra nessas cidades. Após a temporada em Brasília, o projeto seguirá em circulação nacional, com apresentações previstas em Curitiba e Belém.

Do grafite

Jeff Alan iniciou sua trajetória artística no grafite. A experiência com a arte urbana permanece como referência em sua produção atual, desenvolvida principalmente em pintura sobre tela. As obras exibidas na exposição apresentam retratos e cenas inspiradas em moradores de sua comunidade, além de elementos relacionados às vivências pessoais do artista.

De acordo com a curadoria, a exposição reúne trabalhos que dialogam com aspectos históricos e sociais do país. Para Bruno Albertim, a presença da mostra em Brasília amplia o debate sobre os temas abordados nas obras.

"Chegar a Brasília, este lugar de centralidade do poder, ressalta a leitura política das obras de Jeff e as deixa ainda mais densas. As telas expostas tratam do retorno à visibilidade, à nomeação e à figuração dos povos brasileiros com origem em África que foram alijados do processo da modernidade. Ele não pinta tipos idealizados, como fizeram Vicente do Rego Monteiro, Cícero Dias e Tarsila do Amaral. Jeff tem uma relação com quem retrata. São pessoas que ele conhece, do seu convívio", afirma o curador.

Segundo Bruno, a formação da arte ocidental esteve associada a estruturas de poder que privilegiaram a branquitude, utilizando também o trabalho de pessoas negras escravizadas de origem africana. Nesse contexto, ele destaca a produção do artista visual pernambucano Jeff Alan, que retrata, em suas telas, personagens historicamente ausentes dos espaços tradicionais da arte. O artista afirma que busca provocar identificação no público e ampliar a percepção de pertencimento a esses espaços.