Perto do Paraíso de Todd Haynes

CCBB terá mostra, debate e sessões comentadas sobre o universo cinematográfico do diretor norte-americano

Por Mayariane Castro

Juliane Moore em "Longe do Paraíso": a obra de Todd Haynes em discussão

Pioneiro do movimento conhecido como “New Queer Cinema”, o cineasta norte-americano Todd Haynes é o foco de mostra luxuosa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com direito a debates e sessões comentadas, além da própria exibição dos filmes.

A retrospectiva dedicada a Todd Haynes segue em cartaz até o dia 22 de março, com programação gratuita que reúne exibições de filmes, debates, sessões comentadas e atividades formativas.

A mostra apresenta 23 obras, sendo 13 dirigidas pelo realizador norte-americano e 10 títulos selecionados para dialogar com sua filmografia. Os ingressos são distribuídos uma hora antes de cada sessão na bilheteria do centro cultural.

A programação inclui produções conhecidas da carreira do diretor, como Carol, Longe do Paraíso, Velvet Goldmine e Segredos de um Escândalo. As obras são apresentadas junto a filmes escolhidos pela curadoria por relação estética, histórica ou temática com o trabalho do cineasta. A classificação indicativa varia conforme cada título exibido.

Sexualidade e outros temas

Além das sessões, a mostra organiza atividades paralelas voltadas à discussão de temas recorrentes na obra do diretor, como melodrama, representação feminina, sexualidade e linguagem audiovisual. A programação inclui duas mesas de debate, sessões com apresentação ou comentários de convidados e um curso dividido em dois encontros.

As sessões comentadas começaram em 7 de março, com exibição de Velvet Goldmine acompanhada de comentário do coletivo Cinebeijoca. No dia seguinte, 8 de março, o grupo também comentou o filme “Mal do século”. Outras sessões ocorrerão ao longo da programação, incluindo exibição de “Canção de amor” e “Veneno” comentada por Marcus Azevedo em 11 de março.

Na sexta-feira (13), a curadora Carol Almeida participa de sessão comentada com os filmes “O suicídio”, “Assassinos: um filme sobre Rimbaud” e “Peggy e Fred no inferno: o prólogo”. A agenda continua no domingo (15) com exibição de “Longe do Paraíso” comentada por Letícia Bispo. Em 19 de março, Camila Macedo apresenta comentários sobre os curtas “Jollies”, “Dottie leva palmadas” e “Primavera”.

Algumas sessões contam também com apresentação prévia. Em 3 de março foi exibido “Não Estou Lá”, apresentado por Mariana Souto. Já em 5 de março, a pesquisadora Ana Caroline Brito apresentou a sessão do filme “Carol”.

Debates

A programação de debates ocorre em dois encontros realizados no auditório do centro cultural. O primeiro está marcado para 14 de março, às 17h, com o tema “Donas de casa encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes”. A conversa reúne as pesquisadoras Emília Silberstein e Lila Foster, com mediação da curadora Carol Almeida. O debate propõe discutir como o diretor constrói personagens femininas em seus filmes e como os códigos do melodrama são utilizados para abordar questões de gênero e o espaço doméstico.

O segundo debate acontece em 21 de março, também às 17h, com o tema “O legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer”. Participam da mesa o cineasta Mike Peixoto e a pesquisadora Marisa Arraes, com mediação de Camila Macedo. A discussão aborda influências da filmografia do diretor em produções recentes e possíveis diálogos com o cinema brasileiro contemporâneo.

Curso

Outra atividade formativa da mostra é o curso “Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol”, realizado nos dias 14 e 15 de março, das 10h às 15h, com intervalo de uma hora. O curso tem oito horas de duração, divididas em dois encontros de quatro horas, e será ministrado pelas pesquisadoras Alessandra Brandão e Ramayana Lira de Sousa.

A atividade utiliza o filme Carol como ponto de partida para discutir a presença e a representação de personagens lésbicas no cinema. A proposta inclui análise de cenas, discussão teórica e elaboração de um dossiê visual com seleção comentada de imagens e sequências.

A mostra também prevê ações de acessibilidade. No dia 17 de março, às 18h30, haverá sessão acessível do filme Carol com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras. Após a exibição, está prevista uma conversa com integrantes da curadoria com presença de intérprete de Libras. As mesas de debate também contam com tradução para a Língua Brasileira de Sinais.

Outro material produzido para a retrospectiva é um catálogo inédito da mostra, disponível em versão impressa e digital. A publicação reúne textos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros sobre a obra do diretor, além de tradução de um artigo da teórica feminista Mary Ann Doane e uma entrevista com Todd Haynes.

De acordo com a organização, todas as atividades da mostra são gratuitas. Para participar das sessões, debates e do curso, o público deve retirar ingresso na bilheteria do CCBB Brasília a partir de uma hora antes do início de cada evento, sujeito à capacidade das salas. A programação completa pode ser consultada no site da instituição.