"Não sou o Ibaneis. Sou a Celina"
Na última sabatina do Correio da Manhã com os principais candidatos ao GDF, Celina Leão afirma que Ibaneis Rocha tem "responsabilidade objetiva" na decisão do BRB de tentar comprar o Banco Master
Candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal pelo PP, Celina Leão herdou essa condição quando Ibaneis Rocha (MDB), de quem era vice, deixou o governo para quela assumisse em março deste ano. Na sabatina ao Correio da Manhã, ela busca se diferenciar de seu antecessor. Diz reconhecer acertos no governo de Ibaneis, o que, porém, não a faz "anuir com seus erros". No caso específico da crise BRB/Master, ela aponta que Ibaneis teria "responsabilidade objetiva" ao ter dado anuência à tentativa de compra. Leia abaixo a íntegra da sabatina:
Antes de assumir definitivamente o Governo do Distrito Federal, a senhora governou interinamente em diversas ocasiões. Ao todo, 221 dias, o que corresponde a mais de sete meses do período total. Como é possível que a senhora nada soubesse das tratativas envolvendo o Banco Master e o BRB?Creio que nem mesmo o governador Ibaneis Rocha sabia dos detalhes dessas tratativas. Porque isso estava na forma como Paulo Henrique Costa lidava com o Banco de Brasília. Por que um banco regional deveria comprar um banco comercial? Todos sabem das minhas diferenças com Paulo Henrique Costa. Antes de assumir o governo, eu disse que iria exonerar o Paulo Henrique. Isso foi público. Tive alguns momentos também com o sindicato, com o Sinduscon [Sindicato da Indústria da Construção Civil], em que me pediram a permanência dele, e eu falei que não ficaria com o Paulo. Então, assim, você não conhece a gestão, não tem acesso a dados sigilosos. Acho que até o Banco Central falhou nisso.
A senhora está dizendo, então, que Ibaneis Rocha também não sabia?
Acho que os detalhes de como foi feito, talvez, acredito que não. Mas ele deu a anuência. O governador Ibaneis foi pessoalmente fazer a defesa da compra do banco. Acho que a sua pergunta foi se ele sabia dos detalhes. Então, acredito que ninguém sabia. A forma como foi feita a compra. Porque não se chegou a comprar o Master, mas, quando se abriu a operação, viu-se que nem precisava comprar, porque já haviam sido comprados os ativos. Isso foi uma surpresa para nós, para todo mundo. Acredito que o governador também não soubesse dos detalhes do que se fazia.
Então, qual o nível de responsabilidade do governador e da senhora?
O governador tem uma responsabilidade objetiva sobre os seus colaboradores e uma anuência sobre a possível compra do Master. O que está sendo averiguado, e o que as investigações vão dizer, é se houve alguma vantagem indevida, alguma recompensa ou pedido indevido. É a isso que as investigações vão chegar. Mas não podemos fazer acusações antes disso.
Qual é a sua avaliação do governo Ibaneis?
Isso é muito difícil, porque você faz uma avaliação de um governo que teve muitas entregas positivas. É só lembrar como o governador pegou o governo. Faltava água em Brasília. O governo do PT foi um desastre, o governo Agnelo foi pior ainda. Tinha ponte caída, não havia obras na cidade, 26 mil crianças fora de creches, servidores públicos estavam com salários atrasados e os reajustes suspensos. Então, assim, o governador entregou muitas coisas. Entregou um plano de saúde para os servidores; 26 mil crianças foram retiradas da fila de creches; a Polícia Civil e a Polícia Militar tiveram um dos melhores reajustes da história. Houve muitas entregas. Falar que não houve entregas? Lógico que houve. Tanto que, se não tivesse acontecido a situação do Master, eu tinha certeza de que ele seria senador por Brasília. Agora, os acertos de Ibaneis não me obrigam a anuir com ele. Quando você convive com uma pessoa, você não sabe se ela está fazendo uma escolha pessoal errada. Você aplaude os acertos, e foi isso que sempre fizemos no governo. Apoiamos aquilo que estava certo, e eu rechacei, desde o começo, uma possível compra do Master. Acho que isso ficou muito claro. Por isso, essa situação nunca "pegou" em mim. Os veículos de comunicação, às vezes eu tinha oportunidade de jantar, de almoçar. Reclamávamos muito do BRB, que sequer anunciava aqui no DF e anunciava em corrida de carro nos Estados Unidos, coisa longe da nossa realidade. E a gente sempre tinha uma distância muito grande de relacionamento. Minha e do Paulo. Então, a exoneração do Paulo, se acaso eu virasse governador era notório que ele seria exonerado.
O candidato Ricardo Cappelli, do PSB, disse que, na opinião dele, o BRB talvez não durasse até a posse do próximo governador. O que a senhora acha dessa avaliação e das declarações de adversários de que o seu objetivo seria privatizar o BRB?
Eu acho que esses candidatos não estão preparados para governar o Brasil. Eles fizeram campanha contra o BRB. O BRB quebrou, o BRB não sei quê. Esse banco está firme desde o ano passado, está de pé. Se fosse a vontade desses adversários meus, eles não têm espírito público. O BRB não é o Master. Tanto que ele resistiu até hoje. Ele está de pé pelo amor das pessoas que moram em Brasília, que continuam investindo nele, que tem as suas contas.
Mas ele vai ser privatizado?
Não, não vai ser privatizado. A gente está arrumando financiamentos, inclusive para não privatizar o banco. Entendeu? O que o PT quer é isso. O que o PT fala o tempo todo, que é contrário à privatização, mas ele trabalha para privatizar o banco. Porque quando ele sufoca o banco, a ponto de não dar uma linha de crédito, que é somente um aval. Eu não estou pedindo dinheiro para a União. Tirar do Bolsa Família para dar para o BRB. É um papel que o banco vai pagar nos próximos 15 anos. Então, é falta de espírito público, sabe? Todos eles estão despreparados para enfrentar qualquer tipo de situação à frente do BRB. A vontade deles é privatizar. Se eu fosse uma governadora que atendesse demandas de mercado e atendesse o que os meus adversários querem, poderia ter privatizado o banco. Era uma saída fácil, privatiza o banco, sai do problema. Mas eu não eu não corro do problema. Por que o Fernando Henrique Cardoso, que trabalhou muito para privatizar os bancos públicos, o BRB não entrou? Porque o BRB era um banco que dava lucro, era um banco importante aqui. Então, eu luto contra a privatização, porque eu tenho certeza que o BRB tem condição de sair dessa crise com autonomia.
A crise do BRB envolve operações financeiras que podem representar um custo elevado tanto para o GDF quanto para a sociedade. Fala-se que o déficit pode chegar a R$ 22 bilhões ou até ultrapassar R$ 28 bilhões. Diante desse cenário e da incerteza sobre as perdas, até que ponto vale a pena o GDF tentar salvar o BRB?
O BRB pagou R$ 1,8 bilhão de impostos para o GDF. Tem 700 mil pessoas com serviços públicos sendo atendidos pelo BRB, tem 12 milhões de contas e 6 mil trabalhadores. É um banco que sempre deu lucro. Resgatar a instituição é muito mais difícil do que privatizá-la, mas eu geralmente escolho o caminho mais difícil. Minha escolha foi o caminho mais difícil que é recuperar o banco, não entregá-lo de qualquer forma. A recuperação do BRB é uma decisão política. Se os meus adversários falam isso, é porque, eles não conseguem encontrar outra saída. Sobre as reportagens que saem sobre o BRB, o banco aguenta isso desde o ano passado. Mentiras, calúnias, coisas que falam sobre o banco. Toda semana tem uma matéria negativa contra o BRB.
Em relação ao déficit?
isso não é verdadeiro. Sabe por quê? Ninguém sabe, até agora, quais fundos são deficitários e quais não são. Inclusive, pedimos em uma ação que isso seja separado do balanço. Sobre os R$ 21 bilhões que foram comprados, o que se tem certeza de que é fraudulento são R$ 3 bilhões. Sobre o restante, não se tem certeza. Dentro desses fundos do Master, há terras raras, patentes de remédios, lotes em avenida principal de São Paulo. Tem muita coisa lá dentro. Tem muito interesse financeiro em cima desses ativos. Então assim, o que se escreve não é o que é real. A nossa tentativa é de salvar esses ativos que são valiosos para que eles façam a recomposição patrimonial do banco, ou seja, olha, isso vale 4 bilhões, vai ser vendido por 4. Para a gente não entregar isso de qualquer forma e a gente resistiu muito isso. Resistimos muito para não correr o risco de entregar um ativo que vale muito a preço de banana. Era isso que o mercado queria o tempo todo. Tem muitos interesses em cima do BRB.
O presidente Lula já disse que não colocará dinheiro no BRB. Ele também chamou a senhora de "cínica". Como a senhora recebeu essas declarações?
Ele é misógino. O presidente é misógino. O presidente que fala tanto de mulheres. eu nunca falei que ele é ex-presidiário. Eu sempre tratei com respeito. Mas podia falar nos meus discursos. Que ele é o ex-presidiário. Eu nunca falei. Por que ele trata a gente dessa forma? Eu sempre tratei com respeito. Ele poderia fazer críticas duríssimas para mim, sem adjetivar. Não falou só isso, falou só de sim. Me chamou de dissimulada. Ele virou cabo eleitoral do [Leandro] Grass [candidato do PT]. Ele esqueceu que ele é presidente da República. Ele se apequenou. Ele vai para o centro da Ceilândia. Uma cidade que ama o BRB, que está cheia de correntista do BRB, falar contra o banco. Fala: "Eu não quero te dar o aval, mas eu vou formar um sindicato de bancos". Se nenhum banco privado quisesse participar, ele tinha a obrigação de botar dois bancos nesse sindicato, a Caixa e o Banco do Brasil. Ele é o acionista desses dois bancos. Ele tem condição de fazer. Ele fez uma proposta. Nós aceitamos a proposta e essa proposta nunca andou por culpa da política. Eles nunca fizeram nenhum gesto de tentar fazer com que isso funcionasse de verdade. Eu peço uma audiência com o ministro [Luís] Fux [do Supremo Tribunal Federal], falo: "Olha, não está andando, eles estão nos enrolando". Aí eles falam: "A gente quer manter o acordo". Aí, o presidente da República vai lá para o meio da praça para falar que não vai cumprir o acordo. Ele é o chefe da Nação. É pequeno demais. Ele está mentindo para Judiciário que quer fazer o acordo?
Se o Grass vencesse, ele botaria dinheiro?
Não, não acho isso. Eu acho que ele se perdeu como um chefe da Nação. Acho que o Grass não tem nem capacidade de enfrentar uma crise desse tamanho, ele não sabe nem o que tá acontecendo.
O Distrito Federal já teve índices considerados de excelência na educação pública. No último Ideb, porém, ficou em último lugar. O que aconteceu com a educação do DF e o que é possível fazer para retomar esse padrão?
Primeiro, que não é a qualidade dos meus profissionais. Eu tenho certeza absoluta que nós temos os melhores professores do Brasil. O que aconteceu foi a falta de preparo para este momento, que é uma prova do Ideb. Porque a rede cresceu muito. Nossa rede, nós ganhamos uma cidade de Aracaju em dez anos. Tanto que o Distrito Federal tem um processo migratório muito grande. A pessoa chega para cá, quando ela chega, ela precisa de saúde, educação e segurança. Ela não chega de qualquer jeito, ela chega e vem. É natural, é capital da república. E, apesar de nós termos tido grandes resultados, como a fila de creche, que nós zeramos, 4 mil vagas sobrando no cartão crédito, eu tenho 3 mil vagas sobrando nas creches credenciadas. Mas nós não preparamos a rede para a maior prova de aprendizagem, que é o Ideb. Uma prova de Ideb tem questionamentos específicos. Alguns conceitos que permeiam. Por exemplo, no Distrito Federal, com duas matérias, você reprova. Em outros estados, você pode ficar dependente com seis, que não reprovam. E reprovação é índice que conta para o Ideb. Nós não passamos alunos que não têm conhecimento. Mas eu não quero dar isso como desculpa. Trouxe o Thiago Peixoto [secretário de Edudação], que fez um trabalho maravilhoso em Goiás, em Santa Catarina, por onde ele passou. As minhas escolas militarizadas aqui tiveram quase que a nota máxima do ideb. Elas se prepararam para a prova. Nós tivemos muitos avanços. Eu fiz a maior nomeação proporcional da história. Agora, nesses cinco meses, eu nomeei mais de 3 mil professores, 3,5 mil professores temporários pré-concursados. Tivemos agora um outro teste nacional que colocou o Distrito Federal entre os cinco melhores sistemas educacionais do Brasil. Então, se você for olhar em termos de estrutura, de merenda, nós temos hoje 93% da nossa merenda não é industrializada. Então, nós temos uma merenda saudável que usa aqui a agricultura familiar, que nós compramos a agricultura familiar, e algumas escolas chegam a ter cinco refeições por dia. Então, nós temos avanços. Mas aquilo que está ruim, que é o Ideb, nós vamos melhorar. E aí essa é a meta do nosso secretário: melhorar o Ideb e iniciar a educação integral.
Leitores do Correio da Manhã relatam situações de longa espera na rede pública de saúde. Uma delas disse que está aguardando há mais de oito meses, desde janeiro, o resultado de uma endoscopia realizada no Hospital de Base. Em outro caso, uma leitora disse que ainda não conseguiu o resultado do exame da mãe, que inclusive já foi a óbito. Como a senhora explica uma espera tão longa por resultados de exames?
O problema da saúde é que a rede cresceu descoordenadamente. A rede pública de saúde... Nenhum governador, até agora, deu conta de resolver o problema da saúde. Se você pegar a manchete, o dia em que o [ex-governador do DF, José Roberto] Arruda assumiu, eram 15 mil cirurgias. No dia que ele saiu do governo, eram 15 mil cirurgias. Não resolveu a fila. O [ex-governador do DF, Rodrigo] Rollemberg não resolveu a fila. Nenhum governador resolveu a fila. O que nós estamos fazendo de diferente? Se eu saísse do governo hoje, eu seria governadora que operou 20 mil pessoas em cinco meses. Porque eu saí daquilo que eles estão tentando fazer: operar só na área pública. Como é que eu tenho uma fila que está há 13 anos? Eu não consigo atender a minha demanda do hospital e eu vou conseguir zerar essa fila dentro do meu hospital? Essa conta não fecha. As pessoas precisavam assumir isso. Foi por isso que eu mandei um projeto de lei para a Câmara Distrital. E nós pegamos várias especialidades, contratamos essas especialidades, para cirurgia eletiva, para começar a cuidar dessas pessoas. Duzentas mil consultas, pessoas que não conseguiam consultas e procedimentos também, que essas consultas, elas geram procedimentos. Isso está contratado.
Esse é um problema crônico. O ex-governador Ibaneis também nao resolveu...
Eu nao sou Ibaneis, eu sou a Celina. Quem mandou o projeto de lei SUS Candango? Fui eu. Não foi o Ibaneis Depois que eu virei governador, eu contratei 700 médicos. Não foi o Ibaneis. Eu estou tirando do papel sete novas UPA, não foi o Ibaneis. Eu era vice, eu não era governadora do Ibaneis, eu era vice do Ibaneis. Hoje, a caneta é minha.
Mas a senhora, como vice-governadora, não disse nenhuma vez para ele: "Ô, governador, isso aí não está bom."?
Várias vezes. Várias vezes. Ele achava que, se nenhum governador conseguiu resolver a saúde... Eu não acho isso, eu não me dou por satisfeita. Tanto que a gente cancelou o aniversário de Brasília, porque você não faz festa quando tá faltando saúde. Aquilo foi um gesto simbólico para mostrar nossa responsabilidade com a saúde pública. E temos várias ações nesse tipo. Eu estou assinando agora o convênio de 4 mil cirurgias de ortopedia. Eu tenho uma fila enorme de cirurgias ortopédicas. Pessoas que tem dor e eu não consigo operar na minha rede pública. No concurso público que a gente fez agora para a atenção primária, o salário está tão defasado que, de 114 médicos, 34 tomaram posse. Só que eu assumi o governo com vedações eleitorais. Eu não posso fazer uma reestruturação no salário do médico e eu preciso manter esse profissional. Então, a partir do ano que vem, se tudo der certo, eu vou reestruturar a carreira da, da saúde, principalmente a carreira dos médicos, porque eles não estão ficando na rede. Nós estamos fazendo uma gestão onde agora o Iges consegue conversar com a Secretaria de Saúde, com o sistema. A gente tá licitando um novo sistema de gestão para eu ter a rotina do paciente. Ele sai da UBS, ele veio para a UPA, o exame dele está aqui, fica nas nuvens. O sistema é tão antigo que, nessas cirurgias eletivas, que eu estou chamando eles, eu tenho um absenteísmo, uma falta das pessoas de 25%. Será que a pessoa falta à cirurgia? Não é essa pessoa que falta à cirurgia. É o sistema de regulação, que é muito antigo, que não funciona.
O ex-candidato do PSD José Roberto Arruda acusa o seu candidato a vice, Gustavo Rocha, de ter interferido na Justiça para que a candidatura dele fosse impugnada. Como a senhora responde a essa acusação? A senhora tinha interesse na impugnação de Arruda?
Quando você é candidata a governadora, não escolhe adversário. Nunca tive essa preocupação. Isso era uma forma de ele colocar as sete condenações que teve nas costas de alguém, colocar a culpa em outra pessoa. Não foi o Gustavo que cometeu os crimes, não foi o Gustavo que estava inelegível, não foi o Gustavo que foi condenado sete vezes em primeira e segunda instâncias. É uma forma de tirar o holofote do problema dele.
A ausência de Arruda na disputa facilita a sua candidatura?
Acho que o voto dele vem muito mais para nós. Mas isso é até pequeno diante de uma decisão dessas. Nunca foquei minha campanha na candidatura de Arruda. Sempre foquei na minha, diferentemente dele e dos meus adversários. Todos os meus adversários focaram na minha candidatura. Eu ia para um debate e ninguém debatia nada. Ficavam me atacando o tempo inteiro. Eu fui governar; eles ficaram fazendo debate e esqueceram os problemas que deixaram nesta cidade.
A senhora foi governadora interina durante 66 dias depois dos atos de 8 de janeiro. Qual é a sua avaliação sobre o que aconteceu naquele dia? Na sua avaliação, houve uma tentativa de golpe de Estado? E a senhora considera que houve falha ou leniência das forças de segurança para permitir que aquilo acontecesse?
Foi um ato de vandalismo lamentável. Eu era deputada federal. Quando você vê a sua Casa Legislativa sendo invadida e depredada, isso é reprovável e inadmissível. As pessoas precisam pagar uma pena por isso, mas a pena correspondente ao crime correto. Penas de 16 anos, para mim, são um absurdo. Uma pena por vandalismo é uma coisa. Há pessoas que foram condenadas e que sequer entraram ali. Então, na minha avaliação, não houve critério. Essas pessoas não tiveram o devido direito de defesa, inclusive na manutenção das prisões.
A senhora acha que aquilo teve relação com uma tentativa de golpe de Estado?
De jeito nenhum. O próprio ministro do Lula fala que não houve tentativa de golpe de Estado, o ministro [José] Múcio [Monteiro]. O ministro do Lula, não sou eu que está falando, não. Agora, o que aconteceu tecnicamente? No dia primeiro de janeiro, era o secretário Júlio [Danilo Souza Ferreira], secretário de segurança pública. Tinha um alerta máximo de vandalismo. E o Júlio cuidou, organizou. No dia 2, a equipe do Anderson [Torres] foi nomeada. Uma equipe inexperiente e o problema foi no dia 8. Então, eu acho que ficou uma lacuna de comando ali. Aí, o Anderson viajou, as pessoas que estavam lá eram novatas, não conheciam direito.
Suas considerações finais...
Eu quero agradecer ao Correio da Manhã por essa entrevista. As pessoas têm uma expectativa muito grande no nosso mandato. Estarmos em primeiro lugar mostra essa expectativa. Nesses cinco meses, eu mostrei meu compromisso, nossa prioridade na rede pública de saúde. Nós contratamos 20 mil cirurgias, 200 mil consultas, para trazer dignidade para aquelas pessoas que não tinham expectativa nunca de serem atendidas. Contratamos 700 médicos. Tiramos do papel cinco novas UPAs. Estamos construindo dois hospitais. O do Recanto das Emas está na segunda lage, o hospital de São Sebastião, que está sendo construído agora. Esta semana, conseguimos tirar do Tribunal de Contas a construção do Hospital Ortopédico, que daremos início ao canteiro de obras de forma imediata, um hospital que vai cuidar muito dessa fila de ortopedia. Conseguimos com a Apae contratar atendimento para crianças TEA, uma fila gigante, essas mães não tinham expectativa. Enfrentamos a situação das pessoas em situação de rua. Cuidando dessa população, mas fazendo o enfrentamento, devolvendo a cidade, criando legislações para isso. Criamos duas cidades, a 26 de Setembro e a Ponte Alta, a 26 de Setembro chegando toda a infraestrutura. Fizemos 18 GDF na Sua Porta, com mais de 1,8 mil ordens de serviço, a cidade sendo recuperada. Parquinhos, parques, asfalto, paradas de ônibus, aquilo que incomoda o cidadão na porta da sua casa, limpeza urbana, transformando locais que eram depósito de lixo em novas readequações urbanas. Então, eu creio que para quatro, cinco meses, nós entregamos muito diante da dificuldade em que nós pegamos o governo. Reequilibramos as contas públicas, estamos dando uma saída digna para o BRB, para aquilo que tem condições de se recuperar. Fizemos uma campanha limpa. Eu acho que é mais importante disso. Me preocupei durante nossa campanha toda de demonstrar aquilo que nós estávamos fazendo, reconhecendo os erros, as dificuldades que a gente ainda tem para enfrentar, a saúde pública é a maior delas, é algo que a gente precisa ter a coragem de falar os problemas que existem e quais são os caminhos.
Veja abaixo a íntegra da sabatina em vídeo: