DF libera vacina contra a gripe para toda a população
Sanitarista explica a necessidade da vacinação ser renovada anualmente
A vacinação contra a gripe está liberada para toda a população do Distrito Federal. A Secretaria de Saúde (SES-DF) conta com mais de 40 mil doses disponíveis. As salas de vacinação podem ser consultadas no site da pasta.
A ampliação foi decidida devido à baixa adesão dos grupos prioritários, cuja cobertura vacinal está em 57,3%. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde era imunizar 90% desse público.
Integram o grupo prioritário: crianças, gestantes, puérperas, idosos, povos indígenas, trabalhadores da saúde e pessoas com comorbidades.
Para receber o imunizante, é necessário apresentar documento de identidade com foto e, preferencialmente, a caderneta de vacinação.
A aplicação é feita em dose única, exceto para crianças de seis meses a menores de nove anos que nunca foram vacinadas, que devem receber duas doses, com intervalo de 30 dias entre elas.
Segundo Álvaro Madeira Neto, médico sanitarista, gestor em saúde e vice-presidente da Associação Médica Cearense, a recomendação de vacinação anual contra a influenza se fundamenta em dois fenômenos: a alta capacidade de mutação do vírus e a redução da proteção imunológica ao longo do tempo.
"O vírus influenza sofre alterações progressivas em suas proteínas de superfície e esse processo pode reduzir a capacidade dos anticorpos produzidos anteriormente de reconhecer e neutralizar o agente", explicou.
Paralelamente, ele frisa que a proteção da vacina diminui ao longo dos meses.
"Mesmo que alguns componentes da vacina sejam mantidos de uma temporada para outra, permanece a necessidade de renovar a resposta imunológica", disse.
Neto acrescentou que o benefício clínico é reduzir o risco de influenza e de suas complicações, particularmente hospitalizações e mortes.
"A infecção pode provocar pneumonia e descompensar doenças preexistentes, como condições cardiovasculares ou respiratórias", afirmou.
Ele alertou que a efetividade da vacina varia conforme a idade, as condições clínicas e a correspondência entre os vírus vacinais e os vírus em circulação. "Assim, uma pessoa vacinada ainda pode ter influenza, mas a vacinação pode reduzir a gravidade da doença", concluiu o médico.