PCDF investiga esquema milionário envolvendo soja do PAD-DF
Empresa, que estava em nome de empregada doméstica, era usada para emitir documentos falsos
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou ontem (15) a Operação Lastro Oco para investigar um esquema que envolveria produtos agrícolas do Programa de Assentamento Dirigido (PAD-DF), crimes tributários e lavagem de dinheiro.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT/Decor), que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão.
As apurações começaram após autuações fiscais relacionadas a uma empresa fictícia registrada em nome de uma laranja, que afirmou à PCDF desconhecer o empreendimento e trabalhar como empregada doméstica. O débito tributário atribuído ao negócio soma R$ 39,6 milhões.
Segundo a investigação, a firma teria sido utilizada para emitir documentos fiscais falsos em operações de valores elevados. Para a PCDF, a empresa participava de operações milionárias para conferir aparência de regularidade à circulação dos produtos.
Os documentos também teriam sido usados para regularizar o transporte de mercadorias de origem diferente da indicada nas notas. Entre os produtos, está soja produzida na região do PAD-DF.
Em setembro de 2022, dois caminhões foram parados no mesmo posto de fiscalização da BR-060. Os veículos levavam 67 toneladas de soja sem documentação fiscal. As notas foram apresentadas somente depois do início da fiscalização e haviam sido emitidas pela empresa investigada.
Os documentos apontavam o estado de Minas Gerais como origem da carga.
Um dos motoristas informou que a soja havia sido carregada no PAD-DF. Segundo ele, recebeu orientação para sair do local sem nota fiscal, que seria entregue depois.
Os depoimentos dos transportadores permitiram identificar responsáveis pela contratação dos fretes.
A investigação busca apontar os beneficiários econômicos e esclarecer a movimentação dos valores. Também são analisadas relações entre empresas de commodities, transporte e corretagem ligadas aos investigados.
O levantamento patrimonial identificou 17 veículos, avaliados em R$ 2,3 milhões, registrados em nome dos investigados. Os envolvidos poderão responder, conforme a participação individual, por crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.