Morre, aos 76 anos, Luís Turiba, poeta de Brasília

Pernambucano de nascimento, cidadão brasiliense honorário, foi assessor de Gilberto Gil no Ministério da Cultura

Por Rudolfo Lago -BSB

Pernambucano de nascimento, Turiba foi um dos mais importantes poetas de Brasília

“A sombra da torre no bico da terra faz um ponteiro, que marca o momento preciso da gente se amar. São flocos de nuvens que pairam no céu de Brasília. Dão na vista. Textura, arquitetura, obra de artista”.

Talvez não haja resumo mais preciso e mais sensível de como natureza e arquitetura se moldam na capital do país do que “Bico da Torre”, poema de Luís Turiba. Somente na terra plana de céu azul e generoso, o bico da torre de ferro e concreto projetada por Lúcio Costa poderia formar um ponteiro, transformando-se em grande relógio para os amantes. Enquanto pairam os flocos de nuvens, unindo a sua textura com a arquitetura. “Bico da Torre” é obra de artista. Um dos poemas mais importantes da literatura brasiliense, transformado também em canção com música de Renato Matos.

O pernambucano Luís Turiba, que marcou a poesia e a cultura de Brasília, faleceu nesta quarta-feira (26), aos 76 anos, em Salvador (BA). Já há algum tempo não vivia mais em Brasília, cidade da qual virou cidadão honorário.

Poeta, jornalista, agitador cultural, Turiba foi responsável por unir os artistas de Brasília a outros grupos artísticos do país. Amigo de Caetano Veloso e Paulinho da Viola, entre outros, fundou na década de 1980 a revista Bric a Brac. Segundo a jornalista Lúcia Leão, com quem foi casado, a Bric a Brac foi a ponte a unir os poetas de Brasília com outras conexões artísticas, tornando mais nacionalmente conhecida a arte da capital, em um tempo em que ela também se projetava com a aparição de músicos como Renato Russo, da Legião Urbana. “Eu conheci Turiba adolescente, aos 15 anos. Vivemos uma história muita intensa”, diz Lúcia

Turiba também foi jornalista, com passagens importantes por jornais como o Correio Braziliense e página de Brasília do Jornal do Brasil. Trabalhou ainda na Sucursal de Brasília do jornal O Globo.

Turiba foi ainda o assessor de Comunicação de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, no primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

“Turiba era um espírito livre em sua essência”, diz a jornalista Fernanda Lambach, com quem ele também foi casado. “Sei que vai voar alto e feliz. Com ele aprendi a ser livre e a lutar pelo vento no meu rosto”.

Turiba deixa cinco filhos e filhas, três com Lúcia Leão e duas com Fernanda Lambach, e seis netos.