UnB inicia nova pesquisa sobre a única múmia achada no Brasil
Gruta em Unaí (MG) tem vestígios de ocupações entre 5 e 12 mil anos
Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) retomaram as escavações na Gruta do Gentio II, em Unaí (MG), para ampliar o conhecimento sobre a ocupação humana no Brasil Central e identificar novos sepultamentos. A ação de campo teve início neste mês e segue até sexta-feira (14).
O sítio arqueológico ficou conhecido por abrigar a única múmia encontrada no Brasil e nas terras baixas da América do Sul, descoberta durante pesquisas realizadas na década de 1970.
A Gruta do Gentio II está localizada na fazenda Vargem Bonita, a cerca de 30 km distante da área urbana de Unaí, município que integra a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF).
O complexo reúne cavernas e abrigos rochosos e concentra um conjunto de vestígios que ajudam a reconstruir diferentes períodos da presença humana no local.
Os trabalhos atuais analisam sepultamentos datados entre os séculos XIII e XV.
O objetivo é compreender as relações históricas, biológicas e culturais entre os antigos habitantes da região e os povos indígenas que vivem atualmente no Brasil Central.
Os estudos também buscam ampliar as informações sobre as formas de ocupação ao longo de milhares de anos.
As pesquisas anteriores indicam que a primeira ocupação da gruta ocorreu entre 12 mil e 5 mil anos antes do presente (AP). Posteriormente, o espaço foi utilizado por diferentes grupos humanos, entre eles a sociedade Una, formada por populações indígenas que viveram no Vale do São Francisco e no noroeste de Minas Gerais.
As primeiras escavações foram conduzidas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), entre 1970 e 1980, durante o Programa de Pesquisas no Vale do São Francisco.
Entre os achados está a múmia natural de uma menina com cerca de 12 anos, preservada pelo clima seco da caverna durante aproximadamente 3.350 anos. Batizada de Acauã, ela permanece como o único exemplar desse tipo encontrado no país.
Além dos remanescentes humanos, também foram encontradas penas, cestarias, adornos, cerâmicas, sementes e instrumentos de pedra.
Todo o acervo obtido nas escavações anteriores permanece sob a guarda do IAB, localizado no Rio de Janeiro.