Brasília registra maior aumento no custo de vida de todo o país

Pesquisa IBGE aponta que a capital alcançou taxa de 0,52% em junho

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O custo de vida no Distrito Federal marcou o maior aumento do país entre os meses de maio e junho, apresentando um índice de 0,52%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa da capital ultrapassa a média nacional de 0,16% e consolida Brasília como a metrópole com a maior inflação do Brasil.

Embora a taxa da capital exceda o índice nacional, ela ainda representa uma desaceleração em relação a maio, quando o IPCA foi de 0,63%. Porém, Brasília apresenta um cenário diferente do observado em outras regiões do país. Enquanto os índices nacionais apontam à uma variação significante nos custos de habitação, a capital alcançou a inflação mais severa no setor de transportes, com alta de 1,83% que superou os índices de todas as outras cidades mencionadas no levantamento. Em seguida, vêm os grupos de artigos de residência (0,86%), vestuário (0,83%), saúde (0,43%), habitação (0,27%) e despesas pessoais (0,05%).

Mas por que a inflação em Brasília está acima da média do país? Segundo o professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, a disparidade não é aleatória. Os dados refletem uma composição específica do consumo dos brasilienses.

"O expressivo aumento de 11,05% nas passagens aéreas, que têm um peso significativo no IPCA local, foi um dos grandes vilões. Somado a isso, o encarecimento da gasolina (1,74%) impacta diretamente uma economia onde o transporte individual tem relevância central na mobilidade urbana", explicou Silva.

O especialista afirmou que Brasília possui uma renda per capita elevada, o que leva à falta de elasticidade no consumo de certos serviços e produtos. Ou seja, o consumo no Distrito Federal não varia muito de acordo com os preços locais. Diferente de outras regiões do país, onde a queda no preço de alimentos como café e carne levaram à uma redução significativa na inflação, Brasília apresenta uma 'rigidez' nos preços de serviços. Isso se deve a fatores de custo local, como logísticas de distribuição e margens de comercialização em mercados frequentados por pessoas com maior poder aquisitivo.