Pesquisa traça retrato da violência de gênero no DF
Dados mostram que dependência financeira amplia vulnerabilidade
O levantamento "Panorama da Violência Contra a Mulher no Distrito Federal", produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher (SMDF), revela que as violências moral, psicológica e patrimonial são as menos reconhecidas pelas mulheres que sofreram agressões. O Instituto ouviu mais de 5 mil pessoas e os dados colhidos servirão para o aperfeiçoamento de políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres.
Falta de renda
A pesquisa mostra que as mulheres mais vitimizadas são aquelas que dependem financeiramente dos cônjuges e têm filhos menores de 18 anos, grupo que representa 21,5%. Entre os tipos de violência mais frequentes estão a moral (62,6%) e a psicológica (61,5%). Seguidas pela violência patrimonial (39%), a física (39%) e a sexual (35%).
Perguntadas sobre a presença de testemunhas da violência vivenciada, 58,3% das mulheres entrevistadas relataram ter passado por situações de violência responderam que filhos ou enteados presenciaram os episódios de violência.
A pesquisa aponta entraves na busca por ajuda, cerca de 19% das mulheres respondentes relataram preferir resolver a situação sozinha ou no âmbito familiar, enquanto 18,4% responderam não acreditar que a polícia poderia oferecer solução. Além disso, 14,1% relataram que não recorreram buscaram ajuda pelo sentimento de vergonha ou medo que vivenciaram após a agressão. Além disso, 77,2% disseram ter sido alvo de ofensas, críticas ou constrangimentos na frente de conhecidos.
A pesquisa também identificou as situações de violência mais frequentes relatadas pelas mulheres entrevistadas. Entre os episódios mais recorrentes, 87,3% afirmaram já ter sido aparadas, sacudidas, empurradas ou ter tido os cabelos puxados em momentos de irritação do agressor.
O estudo "Panorama da Violência contra a Mulher no Distrito Federal" passa a integrar oficialmente o calendário de produção de informações estratégicas do GDF. A realização bienal do levantamento deve fortalecer o monitoramento da violência de gênero no DF.
Na avaliação do sociólogo e coordenador de Estudos de Avaliação de Políticas Sociais do IPEDF, Diego Rodrigues de Loiola, a institucionalização da pesquisa representa um avanço para a consolidação de uma base permanente de evidências sobre a violência contra a mulher no DF. "É muito importante esse decreto, porque vamos conseguir observar uma linha histórica [desses dados]", destaca Loiola.