S&P rebaixa nota do BRB pela segunda vez em menos de três meses

Agência cita incertezas sobre plano de capitalização; banco busca empréstimo de R$ 6,5 bilhões para reforçar patrimônio

Por Redação

Em comunicado, a S&P atribuiu a decisão à crescente incerteza sobre a recuperação patrimonial da instituição

A agência de classificação de risco S&P Global voltou a reduzir a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB), marcando o segundo rebaixamento da instituição em menos de três meses. A classificação passou de "brB-" para "brCCC+/brC", refletindo o aumento das preocupações do mercado em relação à situação financeira do banco.

Em comunicado, a S&P atribuiu a decisão à crescente incerteza sobre a recuperação patrimonial da instituição e aos riscos relacionados à execução de seu plano de capitalização. O rating de crédito é utilizado para medir a capacidade de uma instituição honrar seus compromissos financeiros e serve como referência para investidores e credores.

Segundo a metodologia da agência, a classificação "brCCC" indica vulnerabilidade ao inadimplemento e dependência de condições econômicas e financeiras favoráveis para o cumprimento das obrigações assumidas.

A deterioração da avaliação ocorre após uma série de dificuldades enfrentadas pelo BRB nos últimos anos. Entre elas estão operações realizadas com o Banco Master, grupo financeiro que posteriormente entrou em processo de liquidação pelo Banco Central. A tentativa de aquisição do Master pelo BRB chegou a ser analisada, mas não avançou após questionamentos regulatórios.

O banco controlado pelo Governo do Distrito Federal também enfrenta atrasos na divulgação de demonstrações financeiras e busca alternativas para recompor seu patrimônio. Em abril, a agência Moody’s já havia rebaixado a nota da instituição, apontando riscos para sua capacidade de pagamento.

Para fortalecer sua estrutura de capital, o BRB negocia um pacote de financiamento estimado em R$ 6,5 bilhões. A operação envolveria o Governo do Distrito Federal, a União, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e instituições financeiras privadas.

A expectativa é que, caso as negociações avancem, o banco apresente até o fim de junho um conjunto de informações financeiras atualizado, acompanhado das medidas previstas para recuperar seus indicadores patrimoniais e atender às exigências regulatórias do sistema financeiro.