Acidentes com lagartas podem causar danos graves, alerta Secretaria de Saúde do DF

Vigilância Ambiental do DF recolhe 90 lagartas no Lago Sul

Por Isabel Dourado

A lagarta Lonomia é considerada a espécie mais perigosa para o ser humano

Apesar da beleza que ostentam devido à sua coloração, algumas lagartas podem ser bastante perigosas para os seres humanos. A Diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) recolheu 90 lagartas Lonomia em uma residência no Lago Sul na semana passada. O objetivo da ação é fabricar soro antiveneno, já que essa é a espécie de lagarta mais perigosa para o ser humano. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, a inoculação do seu veneno pode ocasionar hemorragias e até a morte. O recipiente com as lagartas recolhidas foi levado a São Paulo para a produção do soro antilonômico (SALon) no Instituto Butantan.

O biólogo da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde (SES-DF), Israel Moreira, explica que a lagarta Lonomia é uma das espécies mais perigosas do Brasil e pode se camuflar no tronco das árvores, especialmente em espécies frutíferas.

“Árvores como o pé de manga, por exemplo, muitas vezes apresentam musgos esverdeados na superfície do tronco, além de outros organismos que acabam se misturando ali. A lagarta se mistura a essa superfície, ficando pouco visível”, esclarece. “Como a lagarta costuma se alimentar à noite, ela passa esse período se alimentando de forma intensa. Durante o dia, desce para a altura do tronco, mais ou menos na altura em que as pessoas costumam encostar. Além disso, elas se agrupam, formando colônias no tronco. Se a gente se descuidar, pode acontecer um acidente.”

Por esse motivo, ao coletar frutas no pomar, encostar-se em troncos para descansar ou realizar quaisquer outras atividades em ambiente silvestre, a Vigilância Ambiental recomenda observar bem o local antes de fazer o manuseio.

Antiveneno

O SALon é específico para o tratamento dos envenenamentos causados por lagartas Lonomia. De acordo com informações do Instituto Butantan, o antiveneno foi desenvolvido em meados da década 1990 de forma pioneira pelo Butantan, e sua produção depende da coleta de exemplares da lagarta, uma vez que dentro dos espinhos ou cerdas distribuídos por seu corpo é que está a matéria-prima para a produção do antiveneno.

O biólogo Israel Moreira destaca que a população, ao encontrar essas lagartas não deve matá-las, pois elas são fundamentais para a produção do antiveneno. “Por isso existe um interesse tão grande do Butantan em qualquer lagarta desse tipo que apareça no país, porque não tem como criá-las em laboratório. A gente sempre recomenda que a população não mate esses animais. Temos notícias de pessoas que queimam, esmagam, quando na verdade o ideal é chamar a vigilância ambiental para que possamos, primeiro, identificar se a lagarta realmente oferece risco, se é a lagarta lonomia e dessa forma possamos recolher e enviar ao Butantan para o Instituto fazer o soro antilonômico.”

Moreira ressalta que apenas o estágio larval de mariposas oferecem risco à população, devido à presença de cerdas urticantes e veneno em muitas delas. Por isso, as espécies inofensivas aos seres humanos devem permanecer no meio ambiente. “Elas cumprem um papel fundamental no equilíbrio do ecossistema”, reforça.