Ex-presidente do BRB preso troca de advogados
Paulo Henrique Costa tenta fechar acordo de delação premiada
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso na quinta-feira passada (16) pela pela Polícia Federal (PF), durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero, trocou nesta quarta-feira (22) sua equipe de defesa. Costa tenta fechar um acordo de delação premiada e terminá-la antes do dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O executivo é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, Paulo Henrique Costa teria recebido pelo menos seis imóveis, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em R$146 milhões no total, do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, em troca de facilitar o esquema envolvendo o banco. Costa está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após determinação do ministro André Mendonça. Na decisão que determinou a prisão, o ministro afirmou que Costa atuava como "verdadeiro mandatário" de Vorcaro dentro do BRB. Após a prisão, a defesa negou que ele tenha recebido valores indevidos durante o período em que comandou o banco público.
O ex-presidente do BRB foi afastado do cargo em novembro do ano passado, durante a primeira fase da operação. O advogado Cléber Lopes, que representava Paulo Henrique Costa, deixou a defesa que passou a ser assumida por Eugênio Aragão e pelo criminalista Davi Tangerino, conforme noticiado inicialmente pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Eugênio Aragão foi ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff e Tangerino é conhecido por ter ampla experiência em acordos de leniência. Costa tenta fechar o acordo de delação antes de Vorcaro e, dessa forma, fornecer informações valiosas em troca de uma pena menor.
Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta quarta-feira (22) por manter a prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que foi decretada na semana passada pelo ministro André Mendonça. A votação ocorre em sessão virtual da Segunda Turma e está prevista para terminar nesta sexta-feira (24). Ainda faltam os votos dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques. Já o ministro Dias Toffoli, que também integra o colegiado, reafirmou a suspeição no caso e deixou de votar.
Estratégia
Daniel Vorcaro, que também está preso, adotou essa mesma estratégia com o objetivo de começar a negociar uma delação. Trocou a defesa que antes era formada por advogados contrários a acordos de colaboração premiada. Ele foi transferido da penitenciária para a Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília no dia 19 de março. Ontem (23) ele realizou exames no hospital DF Star após passar mal.