Adolescente envolvido em chacina fugiu do local
Delegado relata em júri que menor pulou o muro do cativeiro
No segundo dia de julgamento da maior chacina do Distrito Federal, realizado nesta terça-feira (14), no Fórum de Planaltina, a Justiça continua ouvindo testemunhas sobre o crime que vitimou dez pessoas da mesma família. A sessão começou na segunda-feira (13), por volta das 9h, e se estendeu até a noite, quando seis testemunhas foram ouvidas. Cinco réus respondem pelo caso: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Segundo o Ministério Público, o júri deve ser concluído apenas no domingo (19), devido ao número de vítimas e réus, além da complexidade das provas.
A investigação do MP evidenciou que os crimes foram praticados pelo grupo ocorreram entre outubro de 2022 e janeiro de 2023 para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. As vítimas da chacina são: Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos; Renata Juliene Belchior, 52; Gabriela Belchior de Oliveira, 25; Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, 30; Elizamar da Silva, 39; Gabriel Silva, de 7 anos; Rafael e Rafaela Silva, 6 anos; Cláudia Regina Marques de Oliveira, 55; e Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 anos.
No primeiro dia do julgamento, um dos investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal que atuou no caso afirmou que, depois da morte dos primeiros familiares, os acusados passaram a usar os celulares das vítimas para responder mensagens de parentes e amigos, na tentativa de despistar o crime.
Menor
De acordo com o Ministério Público do DF (MPDFT), Gideon Batista é apontado como o mentor da chacina. Ele teria organizado todo o plano, facilitado pelo fato de residir na chácara das vítimas, onde prestava serviços gerais à família. Uma das testemunhas ouvidas nesta terça relatou, ainda, que o mentor mantinha uma relação próxima com a família de Marcos Antônio.
O crime foi planejado por Gideon e Horácio Carlos. Segundo o delegado Ricardo Viana, um adolescente de 17 anos teve participação no crime mas abandonou o local após presenciar o esquartejamento do patriarca Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos. De acordo com Viana, o menor disse que pulou o muro do cativeiro, no Vale do Sol, em Planaltina, após presenciar o ato. "Gideon decreta a morte do adolescente como forma de não atrapalhar o plano."
Somadas as penas podem variar entre 211 a 385 anos de prisão, conforme o Código de Processo Penal, caso os réus sejam condenados. A denúncia inclui homicídio qualificado, extorsão, roubo, sequestro, fraude processual, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver.