'Legado cultural' em xeque

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Anunciado em 2019 pelo então governador Ibaneis Rocha, o Museu Nacional da Bíblia foi apresentado como símbolo cultural de Brasília e promessa de legado de sua gestão. A obra, prevista para o Eixo Monumental, enfrentou questionamentos de entidades de arquitetura e sucessivas alterações nos editais. Entre 2020 e 2022, foram quatro certames e nove mudanças nas regras, sem resposta às críticas técnicas.

Com a saída de Ibaneis do governo na semana passada, o projeto perde seu principal patrocinador político e passa a depender da disposição da nova gestão em mantê-lo como prioridade. O impasse sobre custos e licitação amplia a incerteza sobre a viabilidade da obra, que corre o risco de se tornar mais um empreendimento interrompido no cenário cultural da capital. A indefinição também expõe a dificuldade de consolidar projetos de grande porte em Brasília, onde a pressão por investimentos em saúde, educação e mobilidade costuma reduzir espaço para iniciativas culturais de alto custo.