DF reduz processados, mas índice segue alto

Apesar da diminuição, estudo mostra níveis alarmantes

Por Por Isabel Dourado

O consumo de alimentos ultraprocessados entre os brasilienses apresentou queda, segundo o mais recente boletim sobre estado nutricional e hábitos alimentares da população acompanhada pela Atenção Primária à Saúde (APS), com dados de 2024. Apesar da redução, o estudo anual da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) revela números preocupantes.

De acordo com o boletim, os adultos diminuíram em 5,3% a ingestão de ultraprocessados em 2024, alcançando 67%. Em 2023, o índice era de 72,36%. O consumo de bebidas adoçadas, como refrigerantes, sucos industrializados ou de fruta com adição de açúcar, também teve queda de 52,58% para 49%. O grupo de gestantes, por sua vez, consumiu mais ultraprocessados em 2024 do que no ano anterior: 55%, pouco mais de 1% do que o registrado em 2023.

Entre o público infantil, os números preocupam. Aproximadamente uma em cada três crianças de 6 meses a 2 anos de idade consumiu alimentos ultraprocessados em 2024. Entre os mais velhos (de 2 até 5 anos), esse índice é superior a 78%. Desses, 9,63% já apresentam excesso de peso.

A situação se agrava entre crianças de 5 a 10 anos, com 83,56% consumindo ultraprocessados e 25% com excesso de peso, além de ser um grupo que frequentemente realiza refeições assistindo televisão, hábito também comum entre os adolescentes. Nesta última faixa etária, 84,78% consomem alimentos do tipo, 27,86% apresentam excesso de peso e apenas 68% realizam regularmente as três refeições principais ao dia.

O levantamento mostrou que melhor cenário geral é demonstrado pelos idosos. Além de menos da metade optar por alimentos ultraprocessados (46,3%), a maioria - mais de 84% - ingere feijão, frutas, legumes e verduras, mantendo o hábito de realizar no mínimo três refeições principais ao dia.

Os ultraprocessados são definidos como produtos comestíveis de formulação industrial, feitos principalmente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e aditivos.

Estão nesse rol biscoitos, balas e sorvetes em geral, cereais açucarados, refrigerantes, refrescos e sopas em pó, embutidos, produtos congelados prontos para aquecimento, misturas para bolo, macarrão instantâneo, tempero pronto, entre outros.