Fora do Eixo: Samambaia é grande polo cultural diverso

O Complexo Cultural reúne espetáculos, ações formativas e iniciativas de acessibilidade com entrada gratuita

Por Mayariane Castro

Complexo cultura reúne atividades artísticas diversas

O Complexo Cultural de Samambaia, um dos poucos equipamentos culturais do governo do Distrito Federal, abrange diversos eventos que permitem que a população da região administrativa aproveite.

No último ano, o local foi sede de mais de cinco eventos itinerários e recorrentes na área do teatro. Uma das ocasiões foi a segunda edição do Festival de Teatro Verônica Moreno, evento que reuniu espetáculos teatrais, atividades formativas e ações de acessibilidade ao longo de seis dias de programação gratuita. A iniciativa teve como foco ampliar o acesso da população às artes cênicas na região administrativa e atender públicos de diferentes faixas etárias.

A programação foi definida por meio de chamada pública e resultou na seleção de nove espetáculos, além de uma apresentação especial. Os trabalhos escolhidos incluíram três grupos nacionais, um universitário e cinco grupos locais. Todas as sessões foram traduzidas em Libras, garantindo acessibilidade ao público surdo. Segundo a organização do evento, mais de 90 propostas foram inscritas no edital desta edição, um recorde entre as duas edições do evento.

De acordo com o produtor e diretor do Imaginário Cultural, Alan Mariano, a curadoria priorizou espetáculos que dialogam com temas como protagonismo feminino e diversidade cultural brasileira.

Mulheres em cena

O festival leva o nome de Verônica Moreno, atriz e referência no teatro do Distrito Federal, e busca também promover a reflexão sobre o papel das mulheres nas artes cênicas.

Além disso, o evento contou com a entrega do Prêmio Verônica Moreno, destinado a reconhecer mulheres com atuação relevante no teatro do Distrito Federal. Nesta edição, a homenageada foi a artista Áurea Liz. A cerimônia contou com a exibição do curta-metragem “Verônica Moreno e o Teatro da Transformação” e da exposição “Salão de Palhaçaria Feminina+”, que integrou a programação inaugural do festival.

Além dos espetáculos teatrais, o festival inclui ações formativas voltadas a artistas, estudantes e interessados na área, ampliando o caráter educativo do evento. As atividades ocorreram em diferentes espaços do Complexo Cultural de Samambaia, consolidando o local como polo de realização de projetos culturais de acesso público.

Yabás

Entre outras iniciativas diversas do local está o projeto Yabás Deusas Negras, idealizado e conduzido por Mãe Francys de Oyá. O evento, realizado no Complexo Cultural de Samambaia, reuniu arte, gastronomia, espiritualidade e debates sociais, com foco nas Orixás femininas, conhecidas como Yabás. A proposta abordou temas relacionados à cultura afro-brasileira e às trajetórias de mulheres negras, incluindo oficinas de percussão realizadas ao longo do mês de novembro de 2025.

Outro projeto realizado no espaço foi a quarta edição do Teatro é Popular, em agosto de 2025. Desenvolvido pelo grupo Mamulengo Fuzuê, o evento teve como objetivo difundir o teatro de bonecos tradicional e fortalecer a identidade cultural brasileira. A programação contou com oito apresentações gratuitas e a exposição “Mamulengo, Patrimônio Brasileiro”, que reuniu 40 bonecos tradicionais. As atividades ofereceram recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição.

Teatro

O Complexo Cultural de Samambaia também foi palco da abertura do 1º Festival de Teatro LGBTQIAPN+ Em Cena, realizado pela Cia. Estupenda Trupe em junho, considerado o mês do Orgulho LGBTQIAPN+. O evento reuniu espetáculos, performances e cenas protagonizadas por artistas locais, com foco em temáticas relacionadas à diversidade de gênero e sexualidade. A iniciativa buscou ampliar o espaço de visibilidade para produções artísticas ligadas à comunidade LGBTQIAPN+.

Para integrantes da Cia. Estupenda Trupe, a realização de festivais no Distrito Federal contribui para a promoção de debates sociais por meio da arte. Um dos desafios apontados pelos organizadores é a continuidade dessas iniciativas.

Segundo Sergio Maggio, representante da companhia, a ausência de políticas públicas que garantam a permanência dos festivais dificulta a consolidação de um calendário cultural estável. Ele destaca que muitos projetos são realizados apenas em sua primeira edição, sem garantia de novas realizações.

O conjunto de eventos realizados no Complexo Cultural de Samambaia evidencia o uso do espaço como local de circulação de diferentes linguagens artísticas e de acesso gratuito à cultura.