Prainha reúne samba e rituais na virada de ano
Celebra DF 2026 promove programação religiosa e musical na Praça dos Orixás
A Praça dos Orixás, conhecida como Prainha, será palco das comemorações do Réveillon no Distrito Federal com uma programação que reúne manifestações religiosas afro-brasileiras e apresentações musicais. As atividades integram o Celebra DF 2026 e acontecem entre os dias 30 de dezembro e a madrugada de 1º de janeiro, às margens do Lago Paranoá. A virada do ano contará ainda com uma queima de fogos de oito minutos na ponte Honestino Guimarães.
No dia 31 de dezembro, a principal atração será a tradicional Festa de Iemanjá, que inclui rituais religiosos, cortejo simbólico e a entrega de balaios e flores em homenagem à divindade. As atividades religiosas têm início às 21h e seguem integradas à programação musical prevista para o palco montado no local. A proposta do evento é manter a tradição das celebrações de matriz africana realizadas anualmente na Prainha durante o período de Ano-Novo.
A programação musical da noite do dia 31 começa às 18h, com apresentação do grupo Sambrasília, seguida pelo cantor Uel, às 19h30. Após a realização dos rituais religiosos, a agenda continua já na madrugada do dia 1º de janeiro, com o grupo Makumbá, acompanhado por Kika Ribeiro, às 0h30. Em seguida, sobem ao palco o bloco afro Asé Dudu, às 2h, e o Grupo Cultural Obará, às 3h, encerrando as atividades.
Entardecer dos Ojás
As comemorações têm início na terça-feira, 30 de dezembro, com o Entardecer dos Ojás, marcado para as 17h. O ritual abre oficialmente o Réveillon da Prainha e consiste na utilização de ojás, tecidos associados a práticas religiosas afro-brasileiras, em uma cerimônia de marcação simbólica do espaço. De acordo com a organização do evento, o ato integra o calendário cultural do Distrito Federal e antecede as apresentações musicais da noite.
Após o Entardecer dos Ojás, a programação do dia 30 segue com shows de samba e música popular. Às 19h, o Samba de Roda Pé de Porteira se apresenta no local. Em seguida, às 20h30, é a vez do grupo Nossa Galera. O encerramento da noite fica por conta da cantora Dhi Ribeiro, que sobe ao palco às 22h. As apresentações antecedem as atividades do dia seguinte, que concentram as celebrações da virada do ano.
Festa de Iemanjá
A Festa de Iemanjá realizada na Prainha é reconhecida por reunir praticantes de religiões de matriz africana, moradores do Distrito Federal e visitantes. Durante o cortejo, participantes levam balaios e flores até a margem do lago, onde são feitos pedidos relacionados ao novo ciclo que se inicia. As ações seguem protocolos tradicionais dessas manifestações religiosas, respeitando práticas consolidadas ao longo dos anos.
A estrutura do evento inclui palco, sistema de som e iluminação, além de área destinada ao público que acompanha os rituais e os shows. A queima de fogos ocorre à meia-noite do dia 31 de dezembro, com duração prevista de oito minutos, visível a partir da ponte Honestino Guimarães e da área da Prainha.
A programação completa foi divulgada pelos organizadores com horários definidos para cada atração, distribuídos entre os dois dias de evento. O Réveillon da Prainha integra o calendário oficial de celebrações de fim de ano do Distrito Federal e ocorre em um espaço público tradicionalmente associado a manifestações culturais e religiosas afro-brasileiras.
Espaço simbólico
Às margens do Lago Paranoá, em um trecho discreto do Setor de Clubes Norte, a Prainha dos Orixás se consolidou como um dos espaços simbólicos mais importantes de Brasília. Mais do que um ponto de encontro à beira d’água, o local representa resistência cultural, liberdade religiosa e a diversidade que marca a capital federal.
Criada a partir da ocupação espontânea de praticantes das religiões de matriz africana, a Prainha tornou-se referência para rituais, oferendas e celebrações dedicadas aos orixás, entidades centrais do candomblé e da umbanda. Em uma cidade planejada sob forte influência modernista e institucional, o espaço rompe a lógica rígida do concreto e reafirma a presença de tradições ancestrais que ajudam a contar a história real do Brasil.
A importância da Prainha dos Orixás vai além do aspecto religioso. O local se transformou em um território de acolhimento, onde diferentes crenças coexistem e dialogam. Ao longo dos anos, passou a receber visitantes, pesquisadores, lideranças religiosas e curiosos interessados em compreender melhor as culturas afro-brasileiras. Esse fluxo contribui para o combate à intolerância religiosa, ainda presente no cotidiano do país.
Brasília, frequentemente vista apenas como centro do poder político, encontra na Prainha um contraponto essencial. O espaço reforça a identidade plural da capital, formada por migrantes de todas as regiões e por tradições que muitas vezes ficaram à margem do reconhecimento oficial. A luta pela preservação da Prainha também evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção de espaços sagrados e culturais.
Em tempos de debates sobre diversidade, democracia e direitos, a Prainha dos Orixás se afirma como um símbolo vivo de resistência e pertencimento. Sua existência lembra que Brasília não é feita apenas de palácios e monumentos, mas também de fé, memória e da força cultural de seu povo.
