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Crise do BRB e relação com o Planalto estão entre os desafios de Celina Leão

Reeleita com 57% dos votos, governadora terá de rever problemas que herdou de Ibaneis Rocha

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Celina Leão comemorou reeleição junto com as aliadas

A partir do dia 6 de janeiro de 2027, Celina Leão (PP) assume um novo mandato como governadora do Distrito Federal. Com 100% das urnas apuradas pela Justiça Eleitoral, a governadora foi reeleita com 987 mil votos, o equivalente a 57% do total, e conquistou 161 mil votos a mais entre o primeiro e o segundo turno.

Nas últimas semanas de campanha, Celina percorreu as regiões administrativas do Distrito Federal, visitou obras e projetos, mas evitou participar de debates com Leandro Grass (PT), seu adversário na disputa pelo Palácio do Buriti.

Eleita vice-governadora em 2022, na chapa de Ibaneis Rocha (MDB), Celina assumiu oficialmente o comando do Executivo local em 30 de março deste ano, após a saída do então governador, que almejava disputar uma cadeira no Senado.

Durante a campanha eleitoral, ela buscou se afastar politicamente do governo Ibaneis, do qual fez parte, e construir uma imagem própria. Celina ganhou ainda mais força na disputa pela reeleição após receber o apoio de suas aliadas, como a senadora Damares Alves (Republicanos), Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL.

Crise do BRB e Ibaneis

Segundo o cientista político Leandro Gabiati, um dos principais desafios da governadora no próximo mandato continuará sendo o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta uma crise de liquidez devido à aquisição das carteiras de crédito sem lastro do extinto banco Master, de Daniel Vorcaro.

Desde que assumiu o governo, Celina Leão afirma que não tinha conhecimento da operação e que não foi consultada sobre a transação. Ela também negou ter relação com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso em abril deste na quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Em delação premiada, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso desde março, afirmou que o ex-governador Ibaneis Rocha exigiu R$ 400 milhões em propina para viabilizar a compra do Master pelo BRB.

Na avaliação de Leandro Gabiati, as novas revelações podem ampliar o desgaste da gestão de Celina, mesmo que o escândalo financeiro do BRB não tenha impedido sua reeleição.

"Embora Celina tenha conseguido construir uma identidade própria durante a campanha e se afastar do caso BRB, ela foi vice-governadora. Portanto, não consegue se dissociar completamente desse legado. A reeleição demonstra que, até agora, o eleitorado não responsabiliza diretamente Celina pela crise", esclarece.

"Entretanto, isso não significa que o assunto esteja superado. Novos desdobramentos das investigações podem aumentar a pressão sobre o governo e comprometer sua capacidade de articulação", explica Gabbiati.

Relação com Lula

Outro desafio para Celina Leão será a relação com o governo federal, marcada por atritos e trocas de acusações. Para Leandro Gabiati, a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputava a Presidência da República com o presidente Lula (PT), eliminou um cenário que poderia favorecer a governadora, inclusive nas tentativas de até para solucionar a crise do BRB.

Nos últimos meses, Celina acusou Lula de transformar o BRB em "arma eleitoral", após o Tesouro Nacional negar o aval do empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC, que seria usado para recompor o caixa do banco. A governadora também trocou farpas com o então ministro da Fazenda, Dario Durigan.

"A oposição ao presidente Lula representa uma dificuldade adicional. A governadora terá de encontrar canais de negociação, mesmo sem alinhamento político com o Planalto. Uma confrontação permanente pode dificultar a construção de soluções para problemas que afetam diretamente a população do DF", avalia Gabiati.