UnB cria plano para recuperar Terra Yanomami
Plano, elaborado em parceria com indígenas e a Funai, prevê ações ambientais ao longo de 10 anos
A Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) elaboraram um plano para os próximos dez anos com ações de recuperação da Terra Indígena Yanomami, entre Roraima e Amazonas.
Entre 2016 e 2024, o garimpo ilegal destruiu e contaminou mais de 6,3 mil hectares de áreas de floresta e cursos d'água. Os danos afetam mais de 15 mil indígenas de 280 comunidades.
Para enfrentar a degradação, os pesquisadores elaboraram o diagnóstico "A floresta brotando de novo". Segundo dados do documento, a previsão é atuar em 30% das áreas prioritárias.
O plano foi desenvolvido entre 2024 e 2026 pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB e pela Funai, com participação de pesquisadores indígenas, comunidades e associações Yanomami e Ye'kwana.
A elaboração incluiu estudos socioambientais e oficinas com moradores.
Os impactos também alcançam a alimentação, a saúde, a organização social e a vida espiritual dos povos.
Uma das medidas é oferecer apoio institucional e financeiro ao trabalho de pajés para promover a cura espiritual da terra-floresta e restabelecer a proteção dos espíritos que habitam o território.
O plano também prevê formar e remunerar 40 agentes ambientais e territoriais indígenas, responsáveis por planejar, conduzir e acompanhar a recuperação.
Outra frente prevê a adoção de técnicas adaptadas a cada tipo de degradação, com regeneração natural assistida.
Um projeto-piloto deve começar no primeiro ano de execução, em quatro hectares. A iniciativa será ampliada gradualmente até alcançar mais de 1 mil hectares. A execução será feita por etapas.
O plano busca recuperar áreas degradadas com participação da população indígena nas decisões sobre o local.