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UnB repudia atos de violência e depredação de seus prédios registrados no domingo

Candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo) foi preso em flagrante por dano ao patrimônio da União

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Wilker Leão já fez uma série de ataques à universidade. Ele foi solto sem pagar fiança

O candidato a deputado federal e youtuber de extrema-direita Wilker Leão (Novo) foi solto nesta segunda-feira (28) pela Justiça Federal no Distrito Federal. A decisão foi assinada pelo juiz federal substituto 10ª Vara Federal Criminal, Ricardo Augusto Soares Leite. Na decisão, o magistrado sustentou que não havia fundamento na conversão do flagrante em prisão preventiva. Ele também não pagou fiança.

Wilker foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) no domingo (27), por dano ao patrimônio da União, após pintar as paredes do Instituto de Artes (IdA) da Universidade de Brasília (UnB) que tinham expressões artísticas produzidas por estudantes do curso de Artes.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele aparece junto a um grupo de apoiadores pintando as paredes do Instituto com tinta branca. O grupo filmava a pintura e fazia declarações autoritárias. Durante a ação, um homem que se identifica como advogado para no local, desce do carro e questiona o grupo sobre o que estava acontecendo. Em resposta, Wilker e apoiadores fazem intimidações e uma série de ameaças contra ele. "Bandeirinha LGBT aqui só vai sobrar do teu celular, viu?", disse Wilker.

Em abril do ano passado, Wilker e outros militantes de extrema-direita chegaram a convocar um ato na UnB que estimulava violência contra estudantes da instituição.

Na época ele era graduando em História na UnB e foi expulso da instituição em setembro do mesmo ano, após a universidade instaurar um processo disciplinar discente (PDD) para apurar sua conduta em sala de aula.

O extremista gravava professores e alunos sem consentimento e postava os vídeos em tom de deboche e de ridicularização. Segundo as apurações do processo disciplinar, ele também intimidava os docentes.

Inadmissível

Em pronunciamento nas redes sociais, a reitora da UnB, Rozana Naves, afirmou que o protocolo de segurança foi acionado, a Polícia Federal esteve no local, deteve o candidato e realizou a perícia.

"É inadmissível que pessoas externas à nossa comunidade venham fazer intervenções no patrimônio público sem autorização expressa da gestão ou da própria comunidade. Outra agressão foi a sofrida pelos estudantes e praticada pelas pessoas que acompanhavam esse cidadão. Estudantes sofreram ferimentos e levados ao Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito."

A reitora repudiou com veemência a ação e disse que a UnB tomará medidas administrativas e judiciais cabíveis para a apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos. "Essas ações ocorreram no domingo com a Universidade esvaziada e desmobilizada. Isso mostra a covardia desses grupos de extrema-direita que atacam a Universidade e não se propõe a um debate qualificado", destacou a reitora.

A candidata a deputada federal e ex-reitora Márcia Abrahão afirmou, em publicação nas redes sociais, que a UnB não se intimidará. "Como professora e ex-reitora da UnB, que já enfrentou ataques e tentativas de intimidação, deixo toda a minha solidariedade ao IdA e aos estudantes agredidos. A Universidade de Brasília é espaço de conhecimento, liberdade e democracia. A UnB não se intimidará."

Universidade antifascista

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Honestino Guimarães também se manifestou após a ação do candidato e se solidarizou com os estudantes que foram agredidos. "O DCE UnB se solidariza ao IdA e aos estudantes agredidos, inclusive acompanhando o estado de saúde dos estudantes, e seguirá na luta para construir uma verdadeira universidade antifascista", diz a nota.