Primavera começa hoje com calor, estiagem e previsão de chuva no Distrito Federal

Segundo especialista ouvida pela reportagem, El Niño deve potencializar as altas temperaturas

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Primavera marca período de transição entre as estações seca e chuvosa, aponta Inmet

A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, no Hemisfério Sul, e termina no dia 21 de dezembro, às 18:50. De acordo com a climatologia, o início da estação, que é um período de transição, deve manter algumas características do inverno no Distrito Federal, com seca, estiagem, calor persistente e chuvas irregulares.

Segundo a meteorologista, Andrea Ramos, nesta quarta-feira (23) a tendência é de pancadas de chuva durante a tarde em Brasília. Já na sexta-feira (25), as temperaturas podem chegar aos 30°C.

"A primavera tem essa característica de transição. Ela vai continuar quente, até porque, climatologicamente, setembro e outubro são meses quentes. A umidade e as chuvas devem aumentar gradualmente e, a partir de outubro, a tendência é de que comecem a ficar mais uniformes", explica.

Andrea Ramos salienta que agosto de 2026 foi o mês mais quente registrado, de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Apesar da previsão das chuvas durante a primavera, a tendência é que os brasilienses continuem sentindo os impactos das altas temperaturas.

"Antes da metade de outubro já começa a se estabelecer as chuvas, mas isso não significa que não vai ficar quente. As altas temperaturas ainda vão persistir."

A meteorologista também esclarece que o El Niño deve potencializar a ocorrência das altas temperaturas na região Centro-Oeste. O fenômeno climático natural surge quando há o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e altera o clima de todo o planeta.

Cientistas do clima ressaltam que o El Niño vem sendo observado e sentido com cada vez mais força e intensidade. Quanto maior sua intensidade, maior sua influência sobre as manifestações climáticas do país.

Calor e estiagem

O último El Niño, que ocorreu entre 2023 e 2024, foi classificado pelos climatologistas como moderado. A meteorologista relembra que na última edição do fenômeno houve a intensificação da estiagem no Distrito Federal.

"Em 2023, nós vimos que ele gerou um período histórico de 168 dias sem chuva em Brasília. O sinal do El Niño ainda não está muito bem definido. Em agosto, tivemos chuvas isoladas no Distrito Federal. Em setembro também. Na semana passada tivemos chuvas com granizo, destelhamento. Para essa semana já temos previsão de chuva, mas ainda de forma isolada."

O último boletim do painel El Niño 2026/2027 divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mostrou que há mais de 90% de probabilidade de que o trimestre setembro-outubro-novembro registre um evento de El Niño muito forte.

Além disso, os impactos do fenômeno devem permanecer até o início de 2027. Nesse cenário, as anomalias de temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial poderão superar 2,0 °C entre a primavera e o verão de 2026.

Na avaliação da meteorologista Andrea Ramos, a atuação de um El Niño mais intenso e prolongado deve manter as condições de estiagem e altas temperaturas por mais tempo no Distrito Federal. Ela chama atenção para a possibilidade de ondas de calor durante a primavera mas, destaca chuvas regulares que devem ganhar força em novembro e dezembro.

"As temperaturas devem ficar ainda acima da média, de 1 a 1,5 °C. Em alguns momentos, podem chegar a 2°C, por causa do calor. Outubro, novembro e dezembro devemos ter o pico máximo da intensidade do El Niño."