Grupo fraudava faturas de energia elétrica atrasadas no DF
PCDF desarticulou organização que simulava a quitação de contas atrasadas e distribuía os valores
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou ontem (11) a Operação "Crédito Nero" para desarticular um grupo suspeito de fraudar faturas de contas de energia elétrica e lavar valores obtidos com o esquema.
Cerca de 100 policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em Águas Lindas (GO), São Sebastião (DF), Recanto das Emas (DF), Samambaia (DF), Taguatinga (DF) e Sobradinho (DF).
Também foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva contra suspeitos apontados como articuladores e operadores financeiros.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1 milhão em contas e ativos financeiros.
A apuração começou após um condomínio do Lago Norte (DF) registrar uma ocorrência em maio de 2024. Segundo a investigação, um intermediário ofereceu quitar as contas em atraso com desconto, alegando possuir créditos junto à concessionária. Após efetuar os pagamentos via PIX, o condomínio descobriu que os débitos continuavam abertos. O prejuízo foi calculado em mais de R$ 345 mil.
Segundo a PCDF, o intermediário repassava o dinheiro a dois articuladores de São Sebastião. Eles teriam usado informações falsas e inserido dados irregulares no sistema da concessionária para simular a quitação. Depois, os recursos eram distribuídos entre contas de terceiros e empresas de fachada.
A análise financeira localizou outras vítimas e movimentações superiores a R$ 10 milhões entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo. Segundo a corporação, o montante não era compatível com os rendimentos declarados à Receita Federal.
Os envolvidos são investigados, em tese, por estelionato, inserção de dados falsos em sistema de informação, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se condenados, as penas somadas podem superar 30 anos.