Celina Leão diz que divulgação do balanço do BRB depende do empréstimo de R$ 6,6 bi
Em debate, pré-candidatos cobram Celina e apontam falta de transparência no caso BRB-Master
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), admitiu que, se o balanço do Banco de Brasília (BRB) for divulgado antes do empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ser destravado, o banco será liquidado.
A declaração foi dada a jornalistas após a participação no primeiro debate realizado pela Band Brasília com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, no domingo (9), no Teatro do Sesc Ceilândia, no Distrito Federal. O debate teve a participação dos seis candidatos ao Palácio do Buriti: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).
Burrice e despreparo
Celina também classificou como "burrice" a cobrança dos candidatos em relação ao balanço financeiro do banco. A governadora repetiu duas vezes que o balanço só deve ser divulgado depois que o empréstimo for destravado.
"O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão, o banco é liquidado. Essas pessoas não têm preparo, não estão à altura da nossa cidade. E eu tenho que ficar calada. Não posso corrigi-los. O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo. Isso é lógico."
O BRB, que passa por uma grave crise de liquidez após a compra das carteiras sem lastro do banco Master, de Daniel Vorcaro, foi o principal ponto do debate e foi mencionado por todos os outros candidatos, que criticaram a falta de transparência na divulgação da real situação do banco.
A atual governadora também tentou se descolar da imagem do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), alegando que, como vice-governadora, não tinha autonomia para tomar decisões em relação ao BRB, mesmo sendo contra a aquisição do banco Master pela instituição. Ela afirmou ainda que ficou sabendo da operação através da imprensa. "Não fui a favor porque eu acho que o BRB tem que ser o banco regional, não o banco nacional, como era o intuito à época", disse.
Nova audiência com Fux
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, marcou uma nova audiência para definir a execução do acordo firmado no final de maio para viabilizar o empréstimo de R$6,6 bilhões junto ao FGC para o aporte de capital ao BRB.
A decisão foi tomada na semana passada após o Distrito Federal, por meio da Procuradoria-Geral, encaminhar um ofício ao ministro alegando que houve inércia da União e do FGC no cumprimento dos termos acordados há 2 meses. O novo encontro entre o ministro Fux e representantes do GDF está marcado para acontecer nesta quinta-feira (13).
Após o fechamento do acordo, havia a expectativa de que o problema de liquidez do BRB seria resolvido. Em ocasiões em que foi questionada sobre o andamento do empréstimo, a governadora do DF, afirmou que o processo estava em fase final e que a lentidão ocorria devido a coleta de documentos junto aos bancos.
"Enquanto o Fundo silencia, o Distrito Federal cumpre. Enquanto a União posterga, o Distrito Federal cumpre. Enquanto novas exigências são impostas, o Distrito Federal cumpre. O Distrito Federal suporta, portanto, a integralidade do ônus de um acordo cujo benefício não se realiza", diz a petição encaminhada à Fux.
Jogo parado
Após ser alvo de críticas em relação à crise do BRB, Celina alegou que estava sendo perseguida no debate e se autodenominou leoa. A governadora foi aconselhada a não participar dos próximos debates para não ter a imagem desgastada e, assim, deixar que os adversários a ataquem sozinhos.