Capital mato-grossense reduz débitos, mas atrasos sobem
37,9% das famílias acreditam que não conseguirão quitar contas atrasadas
O percentual de famílias endividadas em Cuiabá caiu de 84,4% em junho para 83,3% em julho, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice corresponde a 208,9 mil famílias na capital.
Apesar da redução, a inadimplência voltou a subir no período. A parcela de famílias com contas em atraso passou de 15,6% para 16,3%. São 40,9 mil famílias nessa situação.
O levantamento também mostra que 49,1% dos entrevistados têm poucas dívidas, enquanto 26,9% se consideram mais ou menos endividados e 7,3% dizem estar muito endividados. Outros 16,7% afirmaram não ter dívidas.
A análise do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) aponta redução do endividamento, mas ressalta a alta dos atrasos e a dependência do cartão de crédito. Para a entidade, o cenário ainda exige atenção das famílias.
O instituto destaca que o volume de compromissos financeiros pode limitar o consumo, já que parte da renda é destinada ao pagamento das obrigações. O cartão de crédito aparece como principal modalidade de dívida, citada por 87,6% dos entrevistados.
Na sequência estão os carnês, com 20,3%; os financiamentos de veículos, com 7,8%; o crédito pessoal, com 7,5%; o crédito consignado, com 5,7%; e o financiamento imobiliário, com 5,1%.
A pesquisa também avaliou a expectativa de pagamento das contas atrasadas.
Entre os entrevistados, 37,9% acreditam que não conseguirão quitar o valor devido. Outros 33,7% das pessoas esperam pagar pelo menos uma parcela, enquanto 27,3% afirmam que conseguirão quitar toda a dívida.
Considerando todas as famílias, 6,2% dizem que não pagarão seus débitos, acima dos 5,8% de junho.
Sobre o período de endividamento, 38,3% dos participantes afirmaram estar nessa condição há mais de um ano.
Outros 32,0% têm dívidas entre três e seis meses, 18,1% há até três meses e 11,1% entre seis meses e um ano.
Os dados são referentes ao mês de julho e integram a pesquisa mensal da CNC. A distribuição indica que uma parcela das famílias mantém compromissos financeiros por períodos prolongados, enquanto outra parte acumula débitos mais recentes.