Em seis meses de operação, o DF 360 já auxiliou na prisão de mais de 300 pessoas
Rede interligada de monitoramento conta com 9.626 câmeras, entre públicas, comerciais e residenciais
Depois de pouco mais de um semestre em operação, o programa DF 360 reúne, atualmente, cerca de 9,6 mil câmeras no Distrito Federal.
A plataforma de monitoramento foi lançada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) em fevereiro, integrando equipamentos públicos, comerciais e residenciais.
Segundo a SSP-DF, as imagens e informações de videomonitoramento, radares e sensores instalados em diferentes pontos da Capital Federal, apoiam as forças de segurança nas ações policiais.
Em números
Desde o início do funcionamento e considerando todas as frentes de atuação, o sistema já auxiliou na prisão de mais de 300 pessoas.
Somente no âmbito da Operação Atena, o sistema auxiliou na recuperação de 658 veículos, sendo 486 furtados ou roubados, além da identificação de 25 veículos clonados, do cumprimento de 61 mandados de prisão e da detenção de 134 pessoas.
A rede é formada por 6.395 câmeras públicas, 580 equipamentos privados cadastrados voluntariamente por seus proprietários, 1.354 câmeras da própria Secretaria, além de 81 radares da SSP-DF, 724 câmeras do Departamento de Trânsito (Detran-DF) e 492 do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF).
O secretário-executivo de Relações Institucionais da SSP-DF, Mauro Oliveira, espera que, com o tempo, mais pessoas busquem aderir à iniciativa. "Em poucos meses de divulgação, já conseguimos alcançar quase 600 equipamentos privados", expressou.
Vantagens
Oliveira detalhou que a adesão civil e da iniciativa privada ao DF 360 traz diversos benefícios, visto que o custo ao Estado de criar um cinturião digital de monitoramento seria expressivo.
O secretário explicou que busca sensibilizar o cidadão quanto aos ganhos dessa parceria, principalmente em duas vantagens específicas.
"A primeira se refere ao alcance repressivo das ações policiais a partir da maior captação de imagens, o que amplia a agilidade e a capacidade de investigação das forças de segurança", afirmou.
Já o segundo avanço, conforme pontou Oliveira, está relacionado ao potencial de previsão possibilitado pela Inteligência Artificial (IA).
"Podemos criar prompts de comando que permitem que nós identifiquemos eventuais crimes e distúrbios à ordem, de forma antecipada. Para isso, a IA pode detectar movimentos abruptos, perseguições ou correrias, por exemplo", comentou.
O futuro é a IA
O secretário-executivo ressaltou que o futuro da plataforma passa pela ampliação da rede, com a adesão de mais órgãos públicos e também com maior participação civil, a partir de câmeras residenciais e comerciais.
Entretanto, ele ressaltou que um dos fatores que impulsionará o sistema está diretamente relacionado à Inteligência Artificial.
"Essa ferramenta, além de permitir inúmeras possibilidades, consegue fazer algo que seria impossível ao olho humano: visualizar todas essas câmeras ao mesmo tempo", destacou Oliveira.
Supervisão humana
Fagner Dias, professor de segurança pública do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) de Brasília, elogiou o fato de o DF 360 contar com a previsão de supervisão humana em uma sala de situação, em que os alertas gerados pela inteligência artificial não são tratados como identificação definitiva.
"Esse tipo de procedimento é importante para reduzir os riscos associados a falsos positivos e para assegurar que a tecnologia funcione como instrumento de apoio à decisão", esclareceu.
Dias observou que é fundamental que o sistema se mantenha acompanhado de protocolos claros de governança, proteção de dados, critérios de armazenamento e acesso às informações, supervisão humana e avaliação periódica de sua acurácia.
"Isso é essencial não apenas para reduzir riscos, mas também para construir confiança e legitimidade perante a sociedade", disse.
Desafios do tempo
Para o futuro do DF 360, o professor do Ibmec considera que os próximos desafios envolvem o aperfeiçoamento contínuo da plataforma.
"A atualização constante reduz a ocorrência de falsos positivos e aumenta a confiabilidade dos alertas", afirmou.
Ele mencionou também que é fundamental contar com bases de dados de qualidade, definindo períodos adequados e juridicamente seguros para o armazenamento das informações, além de investir na capacitação contínua dos profissionais que utilizarão a ferramenta.
"Não apenas quanto aos aspectos técnicos, mas também para garantir um uso responsável, ético e compatível com os protocolos estabelecidos", justificou Dias.
Para o professor, a eficácia da tecnologia depende tanto de seu desempenho técnico quanto da capacidade humana e institucional de utilizá-la adequadamente.
Outro desafio central é a adesão da sociedade.
"Quanto maior a confiança da população, maior poderá ser a capilaridade do sistema", concluiu Fagner Dias.