Criança morre em hospital de Brasília por complicações após picada de escorpião

Família alega que a demora no atendimento pode ter provocado piora no quadro de saúde

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As notificações envolvendo escorpiões aumentaram 8% entre janeiro e junho deste ano ante o mesmo período de 2025

Valentina Nobre Lima, de 11 anos, morreu no último domingo (5), no Hospital Santa Lúcia Norte, na Asa Norte, após passar cerca de três semanas internada devido a uma picada de escorpião.

O acidente aconteceu no Riacho Fundo I, em 11 de junho, quando a menina se preparava para ir à escola e acabou pisando em um escorpião escondido no seu tênis.

Devido à dor inicial, Valentina disse que não conseguiu tirar o pé do calçado de imediato, relatando à família que sentiu três picadas antes de se livrar do animal.

Ela foi levada por familiares até o 6º Grupamento de Bombeiro Militar, no Núcleo Bandeirante, mas relataram que não conseguiram socorro no local. A transportaram então para o Hospital Regional do Guará (HRGu), onde recebeu o soro antiescorpiônico.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, ao chegar, Valentina recebeu atendimento imediato com as medidas adotadas para a estabilização do quadro clínico. A pasta ressaltou que, durante todo o período em que permaneceu na unidade, a paciente foi acompanhada continuamente pela equipe médica.

Já a família da criança contesta essa versão, afirmando que, após os médicos sugerirem que a menina fosse levada a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), eles ainda teriam esperado oito horas por uma ambulância e um leito hospitalar.

No entanto, a SES-DF alega que Valentina recebeu atendimento médico imediato enquanto esperava um leito.

Ainda segundo a pasta, ela foi inserida no sistema de regulação, que segue critérios técnicos considerando a gravidade e a prioridade clínica de cada paciente para a disponibilização de vagas.

O quadro de Valentina se intensificou depressa. Durante a primeira madrugada de internação, ela sofreu três paradas cardíacas consecutivas. A criança ficou em coma induzido e permaneceu entubada por semanas, mas não resistiu às lesões.

Acidentes aumentaram

O caso chama atenção para o crescente número de acidentes com escorpiões no Distrito Federal, tornando-se uma preocupação recorrente para a saúde pública.

Nos primeiros cinco meses deste ano, foram 2.239 ocorrências - um aumento de cerca de 8% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registradas 2.072 notificações.

Segundo a Secretaria de Saúde, em todo o ano de 2025 no DF, houve 4.640 casos de acidentes de escorpionismo.

Além do caso de Valentina, a pasta informou outros dois óbitos registrados nos últimos cinco anos em Brasília: um em 2022 e outro em 2024. As ocorrências envolveram crianças nas faixas etárias de 1 a 4 anos e de 5 a 9 anos.

Como evitar

De acordo com as orientações do Instituto Butantan, os escorpiões preferem ambientes quentes e úmidos.

Eles se alimentam de baratas e outros animais que são atraídos por lixo. Assim, eles procuram entulhos e se escondem em redes de esgoto, tubulações de água e de energia. Recomenda-se que caixas de esgoto, redes telefônicas e elétricas estejam vedadas, bem como a ligação destas com o interior das casas, em interruptores, ralos e tomadas.

A Secretaria de Saúde informou que todos os hospitais da rede estão abastecidos com soro antiescorpiônico.

Além disso, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), vinculado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), é referência no atendimento a casos de emergências toxicológicas, inclusive envolvendo animais peçonhentos. O serviço possui atendimento 24 horas pelos telefones: 0800 644 6774 e (61) 9 9288-9358.