Grupo criminoso movimentou R$ 1,4 bilhão em furto de cobre
PCDF mira duas quadrilhas ligadas à receptação de cabos furtados no DF
A movimentação milionária de empresas de fachada, notas fiscais frias e pagamentos sem comprovação fiscal revelou a estrutura de um esquema criminoso que abastecia o mercado ilegal de cobre furtado no Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil do DF (PCDF), a organização criminosa utilizava uma rede de empresas fictícias para dar aparência de legalidade ao metal proveniente, principalmente, do furto de cabos de energia e telecomunicações.
A Operação Ecossistemas do Cobre, deflagrada na quinta-feira (25) pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (Decor), mirou dois núcleos criminosos que atuavam em etapas diferentes da mesma cadeia econômica. Enquanto um grupo era responsável pela receptação e comercialização do cobre furtado, outro emitia notas fiscais falsas para simular operações comerciais e gerar créditos tributários fraudulentos.
De acordo com a PCDF, as investigações apontam que uma empresa de fachada sediada em Tocantins funcionava como elo entre os dois grupos. Em 11 meses, entre 2023 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 1,8 bilhão em contas bancárias, recebeu R$ 1,4 bilhão em notas fiscais emitidas por 21 empresas de fachada do DF e transferiu mais de R$ 45,5 milhões a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao comércio de sucatas e reciclagem de metais, sem nenhuma documentação fiscal justificando os pagamentos.
Segundo a PCDF, as empresas "noteiras" não possuíam sede, empregados, contas bancárias ou capacidade operacional. Mesmo assim, emitiram documentos fiscais bilionários para dar aparência de origem lícita ao cobre e permitir a geração de créditos tributários inexistentes. Uma única empresa emitiu 63 notas fiscais em apenas um dia, totalizando R$ 72 milhões.
A investigação também revelou que mais de 73% das notas emitidas pela empresa tocantinense tinham como destino uma grande metalúrgica localizada em Minas Gerais. Somente em 2021 foram identificadas 212 notas fiscais destinadas à empresa, somando cerca de R$ 97,1 milhões.
As apurações mostram que o cobre furtado era submetido ao processo conhecido como "limpeza", com a retirada da cobertura plástica dos cabos, muitas vezes por meio da queima, dificultando a identificação da origem do material e aumentando seu valor de revenda.