DF: Justiça marca audiências do caso do Hospital Anchieta
A Justiça do Distrito Federal marcou para quarta (27), sexta-feira (29) e 1º de junho as audiências de instrução e julgamento dos técnicos de enfermagem acusados de envolvimento nas mortes de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Os crimes teriam ocorrido no fim do último ano e estão sendo acusados: Amanda Rodrigues de Sousa, Marcela Camilly Alves da Silva e Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo.
As sessões ocorrerão às 14h, no plenário do Tribunal do Júri de Taguatinga, e devem incluir depoimentos de testemunhas e possível interrogatório dos réus.
O processo tramita em segredo de Justiça e não terá acompanhamento da imprensa durante as audiências. Apenas partes e interessados cadastrados poderão acompanhar os depoimentos.
O caso
Conforme noticiado pelo Correio da Manhã na época, as investigações, iniciadas em janeiro deste ano, apontam que os suspeitos teriam provocado intencionalmente a morte de pacientes internados na UTI entre novembro e dezembro de 2025.
Segundo a Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), da Polícia Civil do DF (PCDF), o investigado apontado como principal suspeito teria aplicado medicamentos em dosagens excessivas e substâncias sem indicação para uso endovenoso diretamente na corrente sanguínea das vítimas. Em um dos casos, a apuração indica que um desinfetante teria sido administrado em uma paciente de 75 anos, que morreu após a aplicação.
A diretora do Instituto de Medicina Legal (IML) da corporação, Márcia Reis, informou que a perícia analisou prontuários, imagens de câmeras e registros médicos para verificar a evolução clínica das vítimas e os efeitos das substâncias administradas.
Segundo ela, eram pacientes que tinham diferentes gravidades de quadros clínicos. Reis destacou que o que chamou atenção não foi o agravamento gradual, mas uma piora repentina. Os episódios envolveram paradas cardíacas antes dos óbitos.
As investigações da PCDF reuniu registros de acesso ao sistema interno da unidade e imagens captadas por câmeras de segurança para complementar as provas.
Institucional
Em nota divulgada à imprensa na época, o Hospital Anchieta informou que instaurou um comitê após identificar situações atípicas relacionadas aos óbitos registrados na UTI.
A instituição afirmou que encaminhou elementos da apuração às autoridades responsáveis e solicitou abertura de inquérito policial e adoção de medidas cautelares contra os envolvidos, que já haviam sido desligados do hospital antes do cumprimento das prisões em janeiro de 2026.